Veja (e pense) em 3 quadros

Quando falamos que uma fotografia conta uma história, precisamos explicar melhor. Uma única fotografia pode contar uma história, mas é raro. Na maioria das vezes isso acontece porque existe uma certa construção textual sobre a imagem. Por exemplo, a fotografia da Menina Afegã (de Steve McCurry) ganhou sentido mais preciso e intenso (e completo) porque faz parte de uma época cheia de notícias sobre o Afeganistão. Ela se tornou um símbolo da época e do conflito. Tudo o que se falou sobre a situação de guerra e miséria, neste local, nesta época, foi “grudando" na imagem que Steve McCurry fez. Isso fez dessa imagem um ícone. Sem querer desmerecer, de forma alguma, essa imagem, ela sozinha, sem o seu contexto jornalístico/histórico teria menos força. A força gráfica está e sempre estaria na imagem, mas o simbolismo, a história por trás da imagem é uma somatória de informações que vieram de fora da imagem.



A menina afegã - Steve McCurry

Mas, existem imagens que contam uma história por si. Claro, que com um certo nível de imprecisão, uma certa ocultação de elementos. Isso é da natureza da fotografia. Por exemplo, uma cena com dois carros batidos conta um acontecimento: dois carros colidiram. Não sabemos como, nem o porquê, não sabemos muitas coisas, mas existe uma narrativa básica e objetiva descrita na cena: dois carros bateram. Um retrato de um atleta com uma medalha diz de forma direta que essa pessoa venceu uma competição. Uma mesa de cirurgia com um bebê nas mãos do obstetra diz que um bebê acabou de nascer. Existe, neste casos uma narrativa básica e explícita. Ainda assim bastante incompleta, mas direta e clara.


Quanto criamos um conjunto de fotos (2, 3 ou mais) nos aproximamos de outras modalidades de comunicação como o HQ, o Story Board, o Cinema… Quando temos mais que 1 quadro, podemos ter um antes/depois, causa/efeito, contrastes entre elas, pontos de vista diferentes da mesma cena, pontos de vista de diferentes personagens, "movimento" de câmera (longe/perto), dentro/fora… além do instante congelado de cada imagem, ainda temos o tempo decorrido entre elas, ou o tempo (e o tipo de ação) decorrido entre as ações do fotógrafo de uma imagem para a outra.


Contar uma história com mais de 1 imagem é algo mais carregado de descrição, de ação, de condução por parte do autor. O fotógrafo vai guiar o observador por 1 caminho escolhido. Numa imagem única, o nível de ambiguidade tende a ser maior, o que não é necessariamente pior ou melhor. Mas quando queremos contar 1 história é preciso/desejável conduzir um pouco mais e desenrolar essa narrativa.


Meu Instagram autoral é organizado em trios de imagens. Sempre existe uma relação entre elas. A cada trio penso em um tipo de conexão. Veja alguns exemplos:



3 ângulos do mesmo por-do-sol

Me espiando

Janelas vistas de calçadas, à noite

3 momentos de uma disputa de bola

A natureza que insiste em reocupar espaços

Os instrumentos de um artista plástico

O mesmo personagem em situações diferentes

O mesmo cais em pontos e vista diferentes

Ícones da praia

Olhares distraídos

Eu gosto muito do conjunto em 3 fotos, mais que o conjunto em 2 ou 4. Penso em início/meio/fim, lado 1/lado 2/lado 3, passo 1/passo 2/passo 3, antes/durante/depois, atração/descrição/finalização, longe/perto/detalhe... Sendo assim, sempre que tenho um tema interessante na minha frente procuro fazer umas 10 imagens dele, em pontos de vista diferentes, destacando relações diferentes, variando enquadramento, ou seja lá o que me ocorrer. Assim tenho mais material para depurar posteriormente e selecionar 3.


As vezes alguns desses trios não são do mesmo tema/objeto. São fruto de uma curadoria, uma meditação sobre um tema que foi fotografado em dias, locais e ocasiões diferentes. Por exemplo: flores secas, trabalhadores braçais, palafitas… esses conjuntos surgem geralmente quando estou organizando meu acervo.


De qualquer forma sugiro que você varie o seu pensamento fotográfico de 1 única imagem para 3. Me parece uma boa modalidade visual para pequenas narrativas visuais. Experimente.

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Charbel Chaves Fotografia

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