Validação em fotografia



Bom, esse é um assunto espinhoso. Mesmo para os mais experimentados. E os fotógrafos parecem mais refratários a ele que os profissionais de outras áreas criativas. Músicos, dançarinos, arquitetos… por exemplo, lidam mais cotidianamente com isso e encaram o processo de maneira mais natural. Quando você realiza seu trabalho, como artista, expressa seus conceitos, suas idéias. E isso é o que caracteriza a arte. A arte é a expressão do artista. Se você não tem conceitos para exprimir, não fará arte. Sua cosmovisão é seu maior patrimônio. Mas, mesmo sendo algo tão pessoal, é preciso testar suas idéias, testar seus resultados e especialmente testar seus processos. É saudável e realmente necessário que isso aconteça para que você cresça e amadureça pessoalmente e na relação com seu trabalho. Mas como testar? Como ser avaliado? Como submeter-se à validação de forma realmente eficiente e que traga melhorias reais. Nesta hora, entra em cena um verdadeiro monstro que silenciosamente e sorrateiramente corrói sua carreira: o ego. Vou me explicar. Como tudo no mundo que tem substância, valor, relevância, a arte deve ser testada, submetida a avaliação, sujeita à validação. Ninguém sério e consistente faz arte totalmente do jeito que lhe dá na telha. Temos sempre que lidar com forças. Forças do propósito, forças do tempo, forças dos recursos disponíveis, forças comerciais, sociais, culturais...nossas (internas) e de outros agentes (externas). Querendo ou não somos avaliados em vários níveis e contextos. Pode ser feito de maneira bem acadêmica (num mestrado, por exemplo), pode ser feita por via comercial (resultado de vendas), pode ser feita com via educacional (avaliação por tutores), por via social (impacto em um grupo segmentado), por alcance e aceitação pública (exposições, curadorias, publicações)…mas não pode ser feito somente por você. Existe um passo que o autor precisa dar: expor-se para avaliação. Não acho que seja difícil para a maioria dos artistas entenderem que ser avaliado é importante. O difícil é fazer isso da maneira correta. Tenho visto muitos alunos e colegas meus submeterem seus trabalhos (fotografia, no caso) a grupos de discussão em redes sociais, por exemplo. Esperam com isso que um ramalhete de likes valide seu trabalho. O problema desse método é a instável, duvidosa e ruidosa qualidade do outro lado do processo, os avaliadores. Além disso, o ambiente em questão não foi criado para isso. Avaliar um trabalho artístico demanda critérios (técnicos, estéticos, simbólicos, sociais, comerciais, históricos eventualmente…). Também demanda uma espécie de “contrato”. A relação que existe entre o avaliado e o avaliador precisa ser despida do ego (de ambos). Precisa ser focada no processo de validação em si. Quando eu submeto meu trabalho à uma análise leviana na internet, posso esperar de tudo, menos um resultado útil. Ela nunca o será. Nunca. Pelo simples motivo que não há esse “contrato” entre as partes. O compromisso com o resultado da avaliação é zero. Pelo contrário, grupos de discussão na internet são uma frequentemente uma arena para o exibicionismo de seus participantes. Um participante posta uma foto esperando até algum comentário “construtivo”, um outro participante, mais oportunista, vê uma chance de tripudiar sobre o trabalho do primeiro sem nenhuma condição honesta para uma análise. Como diria minha avó: “é o roto falando do rasgado”, na maioria do tempo. Um avaliador (e aqui cabem os termos tutor, curador, orientador...) deve ser alguém que carregue uma mochila bem cheia em termos de experiência. Alguém que, mesmo diferente em termos de carreira e estilo, tenha uma capacidade de análise afiada. E com uma mente suficientemente leve para testar de forma nova e ampla os diversos aspectos que trouxeram a obra avaliada ao ponto onde ela chegou e além do seu gosto pessoal. O avaliado (autor e obra), por sua vez precisa saber receber os resultados da avaliação. Precisa lutar internamente com o orgulho de autor, sabendo que nenhuma obra é imune a inconsistências e imperfeições. Tudo pode ser melhorado. Não somente a obra, mas especialmente o processo que levou ao surgimento dela. Pablo Picasso disse que “arte é a eliminação do desnecessário”. Eu não tenho certeza disso, mas certamente a eliminação do desnecessário é um aspecto importante do(s) processo(s) que levam ao surgimento de uma obra e por consequência da construção de uma carreira. E é muito difícil (na minha opinião, quase impossível) que alguém faça isso sozinho. Mas também não é possível fazer com a ajuda de qualquer pessoa. Um bom processo de validação fará você (autor) encontrar conexões e desconexões onde você não viu. É como uma consultoria, em termos empresariais. Alguém de fora do seu processo pessoal, olha para o processo, olha para o resultado e questiona. Questiona inclusive o que está aparentemente correto e estável. É nessa “arte” do questionamento, que surgem as insconsistências. É nos porquês, que você como autor não perguntou, que surgem as frestas e as oportunidades de melhoria. Por isso, se você quer constituir uma carreira sólida, ter um portifólio relevante, submeta sua obra à validação. Não interessa se seu viés é artístico, social ou comercial. Tudo pode ser melhorado e o será se for validado por um ou mais profissionais comprometidos com o seu crescimento. A validação é um processo educacional.


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Charbel Chaves Fotografia

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