Um dos tempos



A fotografia faz muitas coisas. Uma delas, talvez a mais básica e original, é “parar” o tempo. Quando vemos uma fotografia antiga onde nós estamos retratados vemos o que aparentávamos em um tempo anterior. Eu, por exemplo, estou “20 kilos mais jovem” no meu álbum de casamento. Eu estou lá, magrinho, com cabelos pretos, ainda existindo em um outro tempo que ficou preso nas páginas daquele álbum. Isso é fascinante, quase mágico! Mas existem vários outros “tempos” da/na fotografia. Sou apaixonado por esse tema. Mesmo o próprio tempo é múltiplo. Existem vários significados para a palavra tempo. Mas não vou entrar nisso agora. É tema para outro post. O que eu quero desenvolver aqui é a percepção e destacar um tempo específico e importantíssimo no ato fotográfico. Saiba que eu chamo de ato fotográfico, tudo o que acontece antes do momento em que terminamos de apertar o botãozinho que dispara a câmera. Existe uma série de 8 a 10 etapas mentais que acontecem até esse instante. A “primeira”, a etapa zero, é geralmente negligenciada. A maioria dos fotógrafos (profissionais ou amadores) vai direto para a etapa seguinte: enquadrar. Mas a etapa zero é a etapa do meditar. Olhar, com a câmera de lado. Olhar, pensar, refletir, admirar, sentir o lugar, o clima... É o tempo da sua conexão com o ambiente e/ou assunto. E não estou usando a palavra meditar com conotação esotérica ou espiritual, no sentido religioso. Estamos e somos de uma época acelerada. Nosso mundo acelera a cada ano, década, século. Veja na história da música, por exemplo, o que houve com a velocidade das peças. Saímos do calmo, lento e meditativo canto gregoriano (século VI) para o vibrante e acelerado be-bop (anos 1950-60). Ficamos irritados com computadores e celulares que “demoram” para iniciar seu funcionamento. Se uma página da internet “demora” a carregar, desistimos. Se sua câmera tem um pequeno delay ao pressionar o disparador, reclamamos. Somos uma civilização acelerada e impaciente. Essa falta de tempo mental, um tempo nosso, um tempo dado por nós, para nós, é uma marca do nosso mundo atual e é devastador na criação artística. Tudo é para ontem. Temos que conseguir o resultado pra já. Não existe maturação, não existe paciência, não existe meditação. Estar diante de um tema demanda pensamento. O pensamento demanda tempo. O bom pensamento demanda um bom tempo. Um tempo de qualidade. Mas nós estamos acostumados a atacar o prato de comida. E perdemos a chance de nos deixar admirar pela obra que está diante de nós feita por um chef. Queremos matar nossa "fome de foto". Devoramos o tema sem sentir o cheiro, sem apreciar os detalhes. Calma! Uma rua da sua cidade tem mistérios, tem belezas, tem detalhes que você não vai apreciar se estiver com pressa para conseguir "a" foto. Mesmo que seja uma rua agitada, frenética. Você não precisa ser. Pare e admire a correria, se ela é seu tema. Pare e observe os detalhes, busque significados por trás do visível, entenda o fluxo das coisas, encontre a beleza que sempre existe (do sublime ao grotesco). Não dispare como quem porta uma metralhadora. Seja um sniper. Seletivo, calmo, observador, preciso. Menos fotos, mas melhores. Se você não percebe, não medita, não descobre, não vai fotografar, vai apenas registrar. E isso pode ser feito por uma câmera de segurança. Mas você é um fotógrafo, não um equipamento. Adicione à fotografia aquilo que a câmera não dá. Antes de olhar pela ocular, desacelere seu tempo interior, respire! Perca fotos se precisar, mas não perca a experiência pessoal de meditar e possivelmente admirar-se com coisas “pequenas”. Dica de portfólio:

Um fotógrafo que me inspira não somente pela sua capacidade técnica, mas pela sua capacidade de meditar sobre os seus temas é Josef Koudelka (agência Magnum), nascido na Tchecoslováquia em 1938.


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Charbel Chaves Fotografia

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