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Charbel Chaves Fotografia

Fotografia | Estúdio | Eventos | Cursos

Rua Valdemar Bertoldi, 420

Alvorada Parque - Paulínia, SP

+55 (19) 99756-3999

Tudo bem rápido


Eu não vou ficar discorrendo aqui (mais do que já fiz) o quanto nosso mundo é acelerado. Todo mundo já notou. E também estamos sempre vendo reações contra esse aceleramento em várias áreas da vida cotidiana (slow food, academias de yoga, movimento minimalista, clínica de relaxamento...). Enfim, estamos na correria mesmo. E precisamos encontrar processos e táticas pessoais para enfrentarmos esses dias "fast"!

Mas no meu dia-a-dia da escola de fotografia eu percebo uma consequência especialmente preocupante dessa correria sobre o aprendizado. Fotografia (o fazer fotográfico) é algo que mistura entender conceitos com algumas habilidades físicas e uma postura mental de aperfeiçoamento constante. Sempre foi assim.

É comum, ao terminar a terceira aula do Curso Básico de Fotografia, onde eu explico os conceitos de ISO, Abertura e Tempo, que os alunos se manifestem dizendo: "Nossa! Quanta coisa pra pensar!". E é claro que eu não posso criticar esse espanto. Neste ponto do aprendizado há novidades que devem ser absorvidas. É assim em qualquer aprendizado.

Nas aulas seguintes ainda vou apresentar outros conceitos (que no geral do aprendizado, são realmente básicos), como balanço de branco, modos de operação da câmera, modos de foco, modos de fotometria... e assim vai. E os alunos (ou parte deles) vão crescendo em ansiedade como se não pudessem absorver tal repertório. Mostram-se realmente incomodados como a "grande"quantidade de informação.

Depois de um ou dois anos fotografando, todos nós percebemos que os conceitos técnicos da fotografia são realmente poucos (tempo, profundidade de campo, sensibilidade da captura, foco, distância focal e balanço de branco). E nosso desenvolvimento depende muito da prática, do treino. Mas cada vez mais, os alunos querem sair de uma única aula com total destreza no uso destes conceitos. Não existe uma predisposição ao processo cíclico de fazer, errar, analisar, fazer, errar... acertar! O desejo é muito imediatista.

E não surpreendentemente, o problema recomeça quando o aluno entra para o TUTOR (nosso curso de empreendedorismo em fotografia). Ao descobrir e entender os conceitos de finanças, marketing, atendimento, fluxo de trabalho... tudo parece muito demorado para gerar resultados ($$$). E pode até ser, mas não mais demorado que a média das empresas de pequeno porte do nosso contexto econômico.

Os alunos geralmente querem se tornar um fotógrafo profissional em meses. Mas tanto a técnica fotográfica quanto a operação de um negócio vão demandar alguns anos! E não meses.

A minha percepção pessoal é que a tecnologia que nos rodeia, por ser intensamente imediatista, tirou de nós uma certa paciência para que as coisas aconteçam cada uma a seu tempo. Criar uma empresa, conquistar clientes, assistir uma peça, ler um livro longo, realizar um projeto fotográfico de 1 ou 2 semestres... tudo soa muito demorado. Porque a cabeça das pessoas está no modo "pressione este botão".

E quando uma pessoa ainda tem demandas urgentes (realmente) de ganho financeiro, os tempos dos processos parecem ainda maiores e mais desanimadores. Mas, observe que tudo o que é realmente relevante e sustentável demanda tempo. Estudar, construir carreira, constituir família, empreender um bom projeto, amizades...tudo demanda tempo (sem contar dinheiro e energia).

A solução pra isso? Eu acho que uma possível solução é o cultivo do prazer no processo. É entender que o caminho para um determinado objetivo é relevante, belo e didático. Mas é preciso despertar-se para a beleza do caminho. Mesmo para a beleza presente nas pedras do caminho.

Comer uma bela refeição é delicioso, mas fazê-la também o é. Mesmo se você se machucar um pouco fazendo. Pra fazer um delicioso pão, vamos ter que realizar cada etapa do processo, incluindo esperar a massa crescer! Ter na sua mente o conhecimento proposto por um livro é ótimo, mas curtir o decorrer das páginas de mãos dadas com o autor também o é.

É possível que estejamos perdendo o melhor do caminho porque estamos olhando apenas para o ponto de chegada. É claro que o ponto de chegada não pode ser negligenciado, mas ele é apenas 1 ponto. Existe muita coisa entre o aqui e o lá. E isso é bom. Então, keep calm and enjoy the view!