Superando as dicas



O universo da fotografia, assim como outros, é generoso, inundado e repleto de DICAS. Basta rodar um pouco pela internet para achar algum texto com a seguinte estrutura de título: "número" + DICAS SOBRE + "assunto". Por exemplo, "12 dicas sobre composição." É uma coisa comum e diária.

Mas de onde vem essa mania de dicas? Bom, primeiro temos uma multidão de pessoas que consomem, por isso existe essa oferta. Segundo, as pessoas não querem ler muito, não querem estudar, não querem trabalho intelectual. Terceiro, os agentes produtores desses artigos também não querem ou não conseguem criar nada muito além disso. No mundo da fotografia, eu acredito ser a ampla maioria, infelizmente, as pessoas tem esse tipo de postura, querem comer (ou servir) “comida pré-mastigada”. Não querem desenvolver o raciocínio sobre algo, querem “dicas”. Fast food. Caso seu objetivo com a fotografia não seja construir uma carreira, o impacto dessa mentalidade sobre a sua fotografia é pequeno. O problema é se, querendo construir uma carreira, ficamos só no fácil, rápido e frequentemente duvidoso mundo das dicas.

Existe uma relação entre quantidade e qualidade. Entre variedade e profundidade. Ou sabemos muito sobre poucos tópicos (especialista) ou sabemos quase nada sobre muitos tópicos (generalista). Considere também que existem inúmeras posições entre o especialista e o generalista. Cada um de nós está em algum ponto dessa linha e pode resolver ficar nesse ponto ou naquele.

Começar a caminhada a respeito de um assunto qualquer baseado em uma lista de dicas, pode até ser uma forma válida de início. Mas em algum momento você terá que decidir quão raso ou quão profundamente quer nadar. Aprofundar-se em um assunto ou uma área é necessariamente deixar de lado outras. É uma espécie de “enquadramento” do conhecimento. Você recorta determinados assuntos e mergulha neles. Não é possível ser profundo em tudo. Há muito o que estudar, muito o que praticar e seu tempo de vida é limitado. É preciso fazer escolhas. Eu não queria que fosse assim, mas é a vida. Agora, vamos pensar como transpor sua fotografia do generalista para o especialista. Eu identifico dois campos de forças que devem ser levados em conta nessa jornada: Campo interno: quem você é. Seus gostos, inclinações, cultura pessoal, desejos, aptidões e costumes. Tudo isso direciona naturalmente sua obra para um conjunto específico de temas e abordagens. Talvez lhe falte as condições (conhecimento e/ou treinamento) mas esse campo de força interno te indica a direção. Campo externo: as forças que incidem sobre você: dinheiro (ou a falta dele), oportunidades (óbvias ou escondidas) e necessidades. É comum não podermos fazer tudo o que queremos. Também é comum precisarmos fazer algo por necessidade, não por desejo. Além de comum, é saudável. Precisamos construir as condições para realizar o que precisamos ou desejamos e vencer as forças externas que nos impedem de focar em algo. E para cada qual, um tempo. Algumas pessoas conseguem superar as dificuldades financeiras, organizacionais, conseguem criar oportunidades ou detectá-las e outras demoram mais. Mas o primeiro passo é identificá-las e traçar metas e estratégias. O que eu quero está em constante diálogo com o que eu posso e/ou devo. Nossas forças internas e externas frequentemente se tensionam. Lidar com essas tensões demanda paciência, trabalho diário e análise específica de cada caso, mas se você quer ter um portfólio relevante, tem que sair do pegajoso mundo das dicas o mais rápido possível e escolher onde quer mergulhar.

Dicas viciam, tiram a energia criativa e nos roubam a oportunidade de autonomia de pensamento. Invista mais em pensamento do que em equipamento, mais em livros do que em dicas. Daí pra frente é trabalho. Todo dia um bom dia de trabalho. O caminho não é plano, é uma escada, de pedras e com pedras. Mas vale à pena subir, a vista fica mais bonita a cada degrau vencido. "Estradas fáceis criam viajantes sonolentos". (Charles Spurgeon)


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Charbel Chaves Fotografia

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