Seja guia


O documentário fotográfico é o objeto de trabalho de muitos fotógrafos hoje em dia. A idéia do documentário pode ser aplicada em praticamente qualquer área da fotografia. Isso por que, fazer um documentário não é apenas uma forma de apresentação ou um gênero, mas uma maneira de pensar sobre o tema e sobre o processo fotográfico. Pode-se realizar documentários de família, de uma empresa, de um lugar, de uma pessoa, de uma época, de uma idéia, de um evento… As possibilidades são muitas. A palavra documentário sempre me pareceu um pouco soberba. Documentar, pra mim passa a idéia de que eu gero um documento, ou algo que atribui um valor extra ou autenticidade ao objeto documentado. É como se eu estivesse adicionando qualidade ao assunto, ao tema. E eu, pessoalmente não gosto muito dessa idéia. Ela é no mínimo imprecisa. Creio que mais adequado seria algo como “interpretário”, “opiniário”, “observatório” fotográfico. Sei que são só palavras, mas nunca são só palavras! Seja como for, a palavra que identifica mais facilmente o assunto é documentário mesmo. Quando eu realizo um documentário, parto para uma aula. Sou o primeiro aluno do processo. Estou num lugar, ou diante de uma pessoa, ou situação para viver, aprender, entender, analisar e finalmente comunicar. Isso é entusiasmante! Estar na jornada do documentarista antes de mais nada, é receber. E tendo recebido, é preciso processar para poder transmitir. O fotógrafo é o observador privilegiado. Depois de vivida a experiência, ele "convidará" outros observadores para apreciá-la e, se possível, aprender com ela também. Nisso o fotógrafo tem uma responsabilidade enorme: guiar. Narrar é, entre outras coisas, guiar o espectador da história. É preciso um grande carinho e capricho com isso. Qualquer passo em falso pode levar tudo por água a baixo ou melhor, levar o expectador para onde não se pretendia. “Uma narrativa é como uma sala na qual as paredes foram pintadas com um número de portas falsas; quando se está dentro da narrativa, temos muitas opções aparentes de saída, quando o autor nos leva por uma porta em particular, sabemos que é a certa porque ela se abre”. Jonh Upkide (poeta americano) Assim como o mágico conduz nosso olhar e atenção dentro do contexto da sua performance para que aproveitemos melhor a experiência proposta, nós fotógrafos precisamos conduzir o observador pela narrativa visual. Sem essa condução, a história contada pode se tornar tão ambígua que perderá seu objetivo. Mas, mostrar tudo, contar todos os detalhes pode ser um excesso que trabalhará contra a própria narrativa. Pode ser, e frequentemente é mais interessante mostrar apenas o suficiente deixando algum espaço para o público participar, interpretar, completar, imaginar. O cinema, o teatro, a literatura são pródigos em fazer isso. Aquilo que é sugerido ganha maior encanto do que o explícito. Achar o equilíbrio entre o mostrado e o escondido é uma arte dentro da arte da narrativa. O sucesso da experiência do observador depende do “como”, do “quanto” e do “quando” apresentamos a história (ou os recortes dela) a ele. Existem basicamente 5 maneiras visuais de se fazer isso: pela composição, pela escolha do momento, pelo acabamento da imagem, pela iluminação e pela forma de exibição. Tratarei disso tudo em outros posts. Mas por hora, entenda que o documentarista visual é um guia. O documentário fotográfico é uma proposta ao observador. Uma entre muitas. Cabe ao autor escolher quais portas abrirá quais fechará. É um convite a percorrer um caminho previamente trilhado pelo fotógrafo. Precisamos caprichar nas nossas escolhas para que a experiência proposta seja atraente, relevante e memorável. E quem sabe, no fim, alguma mudança haja no observador assim como houve no documentarista.


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Charbel Chaves Fotografia

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