Ideias no papel



Desenvolver um projeto fotográfico é basicamente o mesmo desafio de se desenvolver qualquer outro projeto. Existem peculiaridades, claro. Mas a estrutura básica é muito similar. Como eu sei que muita gente não está acostumada com a ideia de criação e gerenciamento de projetos, vou apresentar aqui uma espécie de “guia”. Ele deve servir para qualquer tipo de projeto em áreas criativas, como a fotografia, design, música...


Responda a um porquê. Tenha claro na sua mente, o propósito. Realizar algo sem um motivo forte pode ser a morte antecipada do projeto. Qual o objetivo, além da fotografia, pelo qual vale a pena envolver-se nessa demanda. Pode ser um motivo financeiro, empresarial, social, ideológico, religioso...não importa. O importante é que haja um propósito maior na sua mente, além de fazer lindas imagens.


Pés no chão! É fácil nos empolgarmos com grandes projetos de outras pessoas, especialmente dos grande nomes da fotografia. Mas eu e você não somos estas pessoas. Elas são elas, nós somos nós. Eu adoraria fotografar surf de cima de uma prancha, mas não tenho a menor habilidade pra isso. Adoraria viajar para lugares bem distantes, mas... Adoraria fazer muitas coisas que não pertencem ao meu universo de possibilidades. Sonhar tão alto pode ser paralisante. É melhor aproveitarmos bem as possibilidades que temos e sermos produtivos dentro delas. Cada uma de nós é um universo próprio. Auto-conhecimento e senso de realismo é fundamental para a produtividade.


Identifique afinidades com o tema. É muito mais fácil manter-se engajado em algo que amamos ou que temos muita curiosidade. Alguns temas demandarão anos de perseguição. Então pense em um tema que realmente lhe atrai e imagine-se durante um tempo razoável lidando com ele.


Sua vida não é fotografia. Pense nos impactos que o projeto pode ter na rotina da sua família, na sua saúde, na sua vida financeira. Seja realista. Fotografia não é a coisa mais importante da vida de ninguém.


Planeje, no papel primeiramente. O papel não custa quase nada. No papel podemos falhar várias vezes. Se você não tem o hábito de colocar ideias no papel, comece a ter.


Compartilhe e ouça. Assim que tiver uma versão razoável da sua ideia, mostre-a para pelo menos 3 pessoas: um fotógrafo experiente, uma pessoa do seu convívio que é especialmente crítica/analítica (e talvez pessimista), alguém que conhece muito de perto os seus erros e defeitos. Agora, esteja preparado para ouvir as críticas como uma ferramenta de depuração do projeto. Não considere muito as pessoas que lhe dirão: “Que legal! Faça!”. Isso não é muito útil. Este momento você não precisa de incentivos, precisa encontrar os defeitos/riscos do projeto. E talvez algum insight.


Faça um piloto. Se o projeto for grande, trabalhoso ou extenso, depois de definido o tema, crie uma pequena versão dele. Essa versão será um teste, antes de começar pra valer. Se encontrar alguma dificuldade ou peculiaridade que não havia pensado antes, volte à prancheta e revise seu projeto. Veja aqui algumas pequenas séries fotográficas que eu faço de vez em quando como piloto de projetos maiores. Se quiser mais algumas idéias, leia isso.


Divida seu projeto em etapas menores. Isso é chamado de meta. Uma meta é uma etapa. Cada meta pode ser ainda subdividida em Ações, e cada ação ainda pode ser subdividida em Atividades. A ideia é que um projeto grande pode e deve ser subdividido para que você tenha um senso de progresso, mantenha-se disciplinado e possa fazer medidas do andamento do projeto no total.


Liste os recursos necessários. Para qualquer projeto temos recursos limitados. Sempre. Administrar bem é gerenciar a escassez. Então avalie os seguintes "insumos" do seu projeto:


Tempo: quando começa e termina o projeto. Estabeleça isso. Não deixe a “vida te levar”. Quanto tempo semanal, mensal ou diário você precisará se dedicar? Tempo aplicado no projeto é tempo restrito para outras coisas da sua vida. Pense nisso.

Energia: alguns projetos fotográficos demandam vigor físico e mental. Você está preparado para isso? Precisa se preparar (isso pode ser uma meta)? Se o projeto demanda muito tempo de edição, por exemplo, issso é viável pra você?


Dinheiro: alguns projetos demandarão dinheiro. De onde ele virá? Quanto você ou seus financiadores podem investir? Seja especialmente pessimista neste quesito. Pense sempre no pior cenário. Avalie também se ao término, este projeto lhe trará dinheiro (retorno financeiro). Se sim, dimensione isso, mas evite auto-ilusão. Pense em termos de mercado.


Pessoas: o tipo de fotografia que você pretende fazer exige trabalho em equipe? É possível fazer tudo sozinho? Seria mais eficiente juntar forças? Existem habilidades que você não possui e que precisa contratar?


Equipamentos: o equipamento que você já tem é suficiente? Será preciso alugar ou comprar algo? Evite criar uma lista de exigências exóticas. Aproveite ao máximo os recursos disponíveis. Tente primeiramente adequar a ideia aos recursos já presentes.


Conhecimentos: Você domina, tecnicamente, tudo-nada que precisa para iniciar? É comum é natural que existam “furos” de formação ou de experiência em determinadas áreas da fotografia. Talvez você não tenha todo o conhecimento que precisa em iluminação por exemplo. Se esse for caso, considere tapar essas lacunas antes de começar. Isso seria uma fase de preparação técnica importante.


Ferramentas de acompanhamento


Basicamente, vamos acompanhar 3 aspectos do projeto: o tempo, o dinheiro e as tarefas. Para o tempo e as tarefas, crie um cronograma. Para o dinheiro, crie um orçamento. O cronograma e o orçamento podem estar relacionados em uma única planilha. Mas você pode querer separar. Muita gente faz isso: uma lista das tarefas, com datas previstas para serem realizadas e uma outra lista de gastos previstos. De qualquer forma, é muito útil ter colunas de "previsto" e "efetivo", tanto para os prazos quanto para os gastos. Isso vai lhe ajudar a descobrir se seu planejamento foi bem feito, se foi realista ou não, e/ou se você foi disciplinado ou não para cumprir cada etapa. Esse tipo de anotação aperfeiçoa a nossa capacidade de planejar e realizar novos projetos.


Concluindo...


Não seja emocional demais. Não seja otimista demais. Pessoas ligadas à áreas criativas são tipicamente positivas e otimistas. Isso pode ser um traço que nos motiva, mas pode nos tirar da realidade e nos levar a gastar nossos recursos em uma jornada que não terá bom fim. Pense nisso, planeje e execute com disciplina e método.


Vou deixar aqui alguns livros que já me ajudaram muito a ser mais organizado (ainda há muito trabalho a fazer sobre isso! rsrs) e aprender a planejar:


Fundamentos de Administração

Idalberto Chiavenato

Editora Campus


Criativo e Produtivo

Josh Linkner

Editora Novas Ideias


Project Model Canvas

José Finocchio Júnior

Editora Campus


Business Model Generation

Alexander Osterwalder & Ives Pigneur

Alta Books


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Charbel Chaves Fotografia

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