Blog

Conceitos básicos

Lightroom

Negócios

Linguagem

  • Instagram - Cinza Círculo
  • YouTube - círculo cinza
  • Facebook - círculo cinza
  • LinkedIn - círculo cinza
  • Pinterest - círculo cinza
  • Twitter - círculo cinza

Charbel Chaves Fotografia

Fotografia | Estúdio | Eventos | Cursos

Rua Valdemar Bertoldi, 420

Alvorada Parque - Paulínia, SP

+55 (19) 99756-3999

Obras primeiras



Neste fim de semana tive a alegria de ministrar uma aula sobre composição fotográfica para um grupo de profissionais de diversas áreas (não-fotógrafos). Esse tipo de ocasião é muito enriquecedora para mim. Geralmente, no ambiente tomado por fotógrafos, lidamos com cacoetes, manias e práticas estabelecidas no meio. Já em ambientes mais "virgens" existe sempre a oportunidade de vermos o olhar descontaminado e acima disso o olhar que experimenta. Isso é um pulso de alegria pra mim.

Nesta ocasião específica, um participante, e agora novo amigo, me enviou algumas imagens do dia com o título "minhas obras primeiras". Não vou analisar aqui as obras primeiras dele, mas quero refletir sobre esse título inspirativo.

Num primeiro momento, o que me vem é a brincadeira com a idéia de "obra prima", aquele dada como a melhor obra de uma autor, muitas vezes, chamada assim pelo decorrer do tempo e estudo do conjunto da obra. Sempre achei o autor que, ele mesmo escolhe a sua obra prima, um tanto soberbo. O melhor juiz é sempre o tempo. O tempo ensina e depura.

Mas as obras primeiras são as mais frescas, possivelmente serão esquecidas, possivelmente serão desprezadas logo. Mas eu penso que é nelas que encontramos o componente mais importante para a evolução do trabalho fotográfico: a tentativa. É a experimentação, a busca, a vontade de ver alguma coisa "nova" dando certo que nos faz andar com o trabalho pra frente.

Dia desses, eu disse a uma aluna numa tutoria que ela deveria experimentar mais, ousar um pouco mais, "endoidecer" na pós-produção das suas imagens. Mesmo que isso não leve a um resultado imediato, que seja necessário o tentar de novo. Estava faltando um quê de coragem para um trabalho que já mostrava grande consistência.

Na comunicação e na arte, podemos e devemos, arriscar. Construir uma fotografia não é como construir um prédio, ou fazer um transplante. Ninguém vai morrer ou sofre com ela. A arte é o campo da ousadia, da novidade (mesmo que utópica) e da utopia em si. Deve sempre existir propósito, mas também coragem.

As nossas obras primeiras, são importantes não só como uma referência didática de onde começamos. Elas certamente não serão nossa obra prima. Mas servem para nos lembrar daqueles dias de primeiros passos, de primeiras expectativas e de tentativas não atreladas a um mundo técnico tão estabelecido. Obras primeiras são como os primeiros beijos. Não voltam, mas podem nos levar de volta a um ponto onde tudo era novo, e quem sabe, voltamos desse ponto com novo vigor para continuar caminhando, continuar evoluindo.

Visite suas obras primeiras.

Obrigado Sérgio Laluna pela inspiração.