O livro sobre nada



Um dos meus poetas prediletos, o meu primeiro poeta na verdade, é Manoel de Barros. E, apesar de muitos outros terem escrito sobre coisas simples, Manoel escreveu de uma forma que eu não consigo deixar de amar. Ele une a brincadeira com as palavras, com a observação de criança, com o sonho/fantasia e por fim (e não menos atrativo), frases que sozinhas já me falam muito, como se fossem poemas de 1 linha, "a inércia é meu ato principal", ou "as palavras me escondem sem cuidado"... extraídas de "livro sobre o nada"

Na busca de um tema, assim como ele, qualquer pessoa que quer realizar uma pesquisa ou peça criativa, se depara com a dúvida. E o nada, o não-tema, a não-coisa tratada, talvez seja a coisa mais óbvia e mais desapercebida, de tão presente!

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez. Tudo que não invento é falso. Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira. Tem mais presença em mim o que me falta. Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário. Sou muito preparado de conflitos. Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou. O meu amanhecer vai ser de noite. Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção. O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo. Meu avesso é mais visível do que um poste. Sábio é o que adivinha. Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições. A inércia é meu ato principal. Não saio de dentro de mim nem pra pescar. Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore. Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma. Peixe não tem honras nem horizontes. Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia. Eu queria ser lido pelas pedras. As palavras me escondem sem cuidado. Aonde eu não estou as palavras me acham. Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas. Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja. A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos. Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos. Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim. Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus. Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade. O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito. Por pudor sou impuro. O branco me corrompe. Não gosto de palavra acostumada. A minha diferença é sempre menos. Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria. Não preciso do fim para chegar. Do lugar onde estou já fui embora.

Esse livro foi um dos elementos que inspiraram a série "silêncio".


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Charbel Chaves Fotografia

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