Blog

Conceitos básicos

Lightroom

Negócios

Linguagem

  • Instagram - Cinza Círculo
  • YouTube - círculo cinza
  • Facebook - círculo cinza
  • LinkedIn - círculo cinza
  • Pinterest - círculo cinza
  • Twitter - círculo cinza

Charbel Chaves Fotografia

Fotografia | Estúdio | Eventos | Cursos

Rua Valdemar Bertoldi, 420

Alvorada Parque - Paulínia, SP

+55 (19) 99756-3999

O encanto do retrato



Antes de mais nada quero dar aqui um definição tradicional do que vem a ser um retrato: é uma foto de uma pessoa. A maioria dos fotógrafos considera retrato, como uma foto posada. Dito isto, quero explicar que eu não considero assim. Pra mim, uma foto de uma pessoa é uma retrato, posado ou não. Além disso, neste artigo, estou tratando o retrato não como um tipo de fotografia simplesmente, mas como uma sub-linguagem. Seria um retrato com R maiúsculo, uma foto de uma pessoa e que apresenta/expressa mais do que a aparência dela. Ok?

Você já olhou pra alguém e pensou: “ele(a) está triste”, ou “essa pessoa tem um olhar impactante”, ou “existe bondade nesse olhar”... esse tipo de pensamento, nem sempre consciente, é natural pra nós. Tentamos analisar, entender e conhecer as pessoas pelo contato visual que fazemos. Olhar nos olhos é inevitável em nossas relações. Nosso cérebro tenta ler o outro. Claro, que pode haver muitos enganos nisso, mas é uma inclinação natural.

O fato é que fotografia de pessoas, de rostos, conectam facilmente o observador da imagem ao retratado. E conduz a uma análise interna, cheia de subjetividades, que enriquece a experiência fotográfica. O olhar humano é revelador. E esse tipo de imagem captura de forma muito eficiente a expressão do retratado. Mesmo com olhos fechados, o retrato é cativante.

Mas como diz Rodney Smith, “a firmeza da mão não pode compensar o vazio do coração”. Ao fotografarmos alguém é preciso buscar uma imagem que faça perguntas e não que traga respostas. Geralmente, isso exige que o fotógrafo importe-se o suficiente com o retrato para acompanhá-lo em suas expressões. O retrato ideal acontece em um momento muito curto, fácil de ser perdido. Nossos rostos criam sutilezas e variações nas expressões muito passageiras.

Fotografando alguém que está posando para você, nada pode ser mais destrutivo para a expressão do que dirigir demais. É muito mais eficiente conversar, querendo realmente saber algo do retratado. Busque a expressão, mais que a pose. Existe uma diferença enorme entre essas duas palavras.

A esmagadora maioria dos fotógrafos de retratos focam a sua direção do retratado em poses. Não há interação real, há um tipo de cena idealizada, não descoberta. Cada retratado tem seu universo próprio e é de se esperar que poses formatadas nunca soem naturais ou autênticas para diversas pessoas.

É neste ponto que a arte do retrato se distingue radicalmente do ensaio de moda. Na moda o alvo é o produto adornado por uma atitude proposta pela marca. No retrato o objetivo é mostrar quem o retratado é, além e mais profundamente que sua pele. A personalidade (algum traço dela) deve aparecer na imagem de alguma forma. Na fotografia de moda, existe um personagem construído pela marca, pelo(a) modelo e pelo(a) fotógrafo. O que não é, de forma alguma, algo mal. Apenas não é Retrato, é Moda.

Retratar alguém é revelar que ele(a) é em algum nível. Isso depende de conversa, risos, atitude de ouvinte, exige importar-se com a pessoa é aquele momento. Uma sessão de retratos de qualidade é quase uma dança. Uma dos nossos mais brilhantes retratistas, Márcio Escavone, extrai o melhor dos seus retratados em sessões cheias de ouvir, falar, entender, sorrir...

Fotos de Márcio Scavone

Chris Orwig cria retratos belos e honestos com luz simples que não rouba a cena, não invade o retrato. Seu processo é de mínima direção, boas conversas e poucos cliques. O resultado são imagens reais e singelas.

fotos de Chris Orwig

Muitas vezes é libertador dizer para o retratado que não é preciso sorrir. Já escrevi sobre isso, aqui. Quem disse que todos ficamos bem ou manifestamos quem somos sorrindo? Quem inventou a ideia de que o sorriso é a “expressão certa”? Um retrato sorridente pode ser uma fraude. Outra questão é que é muito fácil ceder à expectativa de aparência que o(a) retratado(a) idealizou, ao invés de criar uma expressão visual de que ele(a) é. Isso é transformar a fotografia em uma ferramenta de adulação.

Nino Rakichevich aconselha: “não se esqueça que você tem que ser uma pessoa para ser um fotógrafo de pessoas.”.

Na realização do retrato, manter-se simples em termos de postura e equipamento é uma ótima estratégia. Uma lente fixa, uma luz simples, uma composição básica. Muito equipamento distrai, você e o retratado. Richard Avedon disse: “Eu odeio câmeras. Elas interferem e estão sempre no caminho”. Os excessos técnicos podem acabar com o contato humano. Não estou sugerindo que você não use equipamento de iluminação, apenas alertando para que o que importa é o contato, não a tralha toda. Uma fonte de luz natural, ou um único flash simples é uma boa escolha.

Numa situação de fotografia ao ar livre, a tendência é obter mais espontaneidade. Mas seja onde for, é o retratista que dá espaço e as condições para que o retratado seja realmente visto. Importe-se com ele, com suas particularidades e com suas histórias. Um retrato é realmente bom quando uma personalidade é capturada, não somente um rosto. O bom retrato geralmente é fruto de uma ótima conversa.