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Charbel Chaves Fotografia

Fotografia | Estúdio | Eventos | Cursos

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Muita foto, pouco pensamento



Eu não sei dizer quanto da "audiência" deste blog é formada por fotógrafos da era analógica. Creio (chute) que seja uns 10% a 20%. E não quero que este post seja saudosista, por que eu realmente acho que a era digital é melhor em termos gerais, por ser um fazer fotográfico mais prático, rápido, e permite o uso do conhecimento acumulado da era analógica. Sobre este último item, devo dizer que pequena parte da multidão de fotógrafos digitais, lança mão. O que é uma pena. Mas o fato é que podemos (e devemos) fotografar apoiados em todo conhecimento útil sedimentado desde a criação da primeira fotografia.

Bem, mas a questão é que o fazer fotográfico atual se difere do fazer fotográfico analógico em muitos aspectos. Não vou tratar de todos (eu não seria capaz), vou me limitar a um deles: a quantidade de fotos.

Hoje fotografamos muito mais em uma sessão do que fotografávamos na década de 80, por exemplo. Essa diferença de comportamento se dá em 2 frentes, que estão relacionadas: o equipamento e o pensamento.

Quando você tem um equipamento que lhe permite fazer 36 fotos (filme 35mm), certamente, mesmo tendo uns rolinhos na bolsa, você vai pensar mais sobre a maneira como gasta esses fotogramas. Ter que trocar de filme pode lhe custar A foto na hora H. Outra: revelar filmes e ampliá-los custava mais tempo, esforço e dinheiro que hoje. E isso poderia impactar a entrega do trabalho de maneira muito forte.

A consequência mais óbvia desses limitadores técnicos é que o fotógrafo pensava melhor para clicar, e pensava antes de clicar. O próprio pensamento, sua formação, influências e preparo eram muito mais intensamente cultivados pelos fotógrafos. Estudar (não ver rapidamente) o portifólio de grandes nomes do passado era o básico da rotina de um bom profissional. Debruçar-se sobre os temas da composição e a luz, idem. Com o advento da era digital, os custos e "espaço" de armazenagem foram completamente redimensionados. Isso afetou os hábitos do fotógrafo. Clicamos muito para escolher e pensar sobre a imagem depois.

Uma câmera digital, é muito mais complexa que qualquer câmera analógica. Entretanto ser mais complexa não garante melhoria comunicativa da imagem. Megapixels, sensores nítidos, velocidade de disparo, controles de cores... nada disso faz de uma imagem uma grande obra de comunicação (artística ou não). A câmera complicou-se para que o pensamento do usuário fosse simplificado. Para o público leigo/turista, talvez tenha sido bom, mas para os profissionais da área, esse caminho não contribuiu muito. Pelo contrário, estimulou o pensamento raso e a terceirização deste para o equipamento. Muitas pesquisas estão sendo feitas sobre o uso de IA (inteligência artificial) para câmeras. O que nos indica que a indústria continuará no caminho em que está: não pense, clique.

Consequências:

1) A técnica, sua precisão, seu cuidado, foram empobrecidos claramente.

2) Geramos trabalho desnecessário para a pós-produção, selecionando algumas boas imagens entre centenas ruins.

3) O poder de curadoria dos fotógrafos não acompanhou a necessidade da pós-produção. Escolhe-se mal, entre as centenas de fotos ruins.

4) O fotógrafo moderno acredita cada vez mais na capacidade da câmera realizar uma "grande" fotografia.

Qual a solução? Retomar o pensamento criterioso sobre a cena e a precisão/habilidade técnica no ato fotográfico, mesmo podendo errar mais para escolher depois. Simples assim: usar as vantagens da tecnologia sem descartar as virtudes do passado (recente, diga-se de passagem).