Lendo imagens



Como a gente aprende a fazer música, escrever poesia, dançar, desenhar…? Bom, eu tenho uma idéia do caminho. Tenho também uma opinião sobre onde tudo isso começa. Antes do aprender o fazer, aprendemos a gostar. Gostar de algo começa por observar, dar atenção, apreciar, contemplar. Quando vemos alguém fazendo uma caricatura na rua por exemplo, podemos ter um start disso dentro de nós. Um “bixinho” pode nos pegar e passamos a gostar mais, observar mais, buscar mais informação, de repente queremos nos arriscar nuns rabiscos, procuramos um curso e pode ser que a gente se descubra caricaturando um dia. Mas tudo começa com o gosto inicial da observação. Um dia damos um pouco de atenção àquilo e tempos depois lá estamos nós fazendo. O fazer começa com o gostar, com o apreciar. Pra fazer fotografia é a mesma coisa. As pessoas podem ter níveis diferentes de olhar para uma fotografia. Tem gente que olha e vê a cena simplesmente. Outros olham e vêem a ocasião, as relações humanas ou os rastros delas. Alguns olham a nitidez, a geometria, as cores, olham detalhes, dão atenção ao fundo…São “camadas” de olhar. A maneira como olhamos para uma imagem está carregada de quem somos. Objetos ou pedaços de uma mesma fotografia podem ter significados completamente diferentes para pessoas diferentes. Nosso ser indivíduo leva para a fotografia significados que eventualmente a própria fotografia não tem. Noutras vezes, elementos presentes na fotografia podem tocar-nos de maneiras e níveis diferentes. Como se nós e a imagem pudéssemos trocar olhares, palavras. Há uma certa "conversa" aí. Independentemente deste fato, podemos nos educar para “lermos” uma fotografia. Podemos desenvolver nossa capacidade de observação e extração objetiva e subjetiva de informação contida na imagem. Essa capacidade pode e (na minha opinião) deve ser sistematizada. Depois de um tempo treinando essa leitura tudo fica mais natural e automático. Além disso, o hábito da leitura de imagens nos faz melhores criadores de imagens. A prática e o tempo vai criando em nós um repertório visual. Não só temos um arquivo interno de imagens de referência como podemos acessar categorias diversas de imagens e usar esse arsenal para criar as nossas imagens. É fácil, neste ponto, entender a frase de Ansel Adams quando ele diz que “você não captura uma fotografia, você faz uma fotografia”. Mas fazemos como? Fazemos com o que? Outro grande fotógrafo, Sebastião Salgado, nos dá uma dica: “Você não fotografa com sua câmera. Fotografa com toda a sua cultura”. Eu entendo cultura nesta frase, como sendo todo o conteúdo vivido que me faz o que sou. Minha formação, minha idade, país, família, religião, viagens, livros que li, desafios e tristezas que vivi, alegrias e vitórias conquistadas… tudo. O que sou, aparece ou influencia de alguma forma, mesmo que sutil a fotografia que eu produzo. Neste ponto, a minha visão e minha maneira de fazer se encontram. No conjunto das minhas fotografias produzidas eu posso ser “visto”. Eu posso me entender e ser entendido. Eu vou dar pistas (sutis ou escancaradas) de quem eu sou, na minha produção fotográfica. Ler imagens é um hábito e uma capacidade. Ele se retroalimenta da própria obra. Eu aprendo a ler, aí aprendo a produzir, lendo meu próprio trabalho eu me leio nele e me entendo melhor, desenvolvo meu olhar e produzo melhor… o trabalho e eu nos modificamos com o tempo. Daí vem a importância do livro de autor, o livro-portfólio, mas isso é outro tema, pra outro tempo. Quero deixar aqui uma dica prática: não descarte fotos ruins que você fez. Pelos menos não descarte todas. Aprenda a olhar para uma sequencia de fotografias e entender-se nelas, entender seu processo do ver fotográfico, entender onde a coisa não rolou e onde/como/porque surgiu A foto. Mas não descarte facilmente seus erros. Aprenda a ler e ler-se neles. "Quem erra aprende mais", já dizia o amigo, Pe. Godoy, que me ensinou (com muita paciência) a jogar xadrez.


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Charbel Chaves Fotografia

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