Fotografia, uma atividade frágil


Se você está na fotografia (como fonte de renda) ou pretende entrar, precisa considerar algumas coisas importantes e ajustar as suas expectativas. Em tempos de crise, a realidade aparece claramente na nossa frente e é sempre um bom momento para fazer ajustes de planos, estratégias e expectativas. Boas mudanças podem nascer de situações difíceis se soubermos e conseguirmos pensar com certa lucidez. Eu vejo que existem basicamente 6 formas de termos a fotografia como atividade em nossas vidas, cada uma com vantagens e dificuldades:


A fotografia como empreendimento comercial


Profissão é aquilo de onde você tira seu sustento financeiro. É a sua principal atividade laboral. Não é um hobby nem um complemento de renda, é a base das suas finanças. Viver profissionalmente de fotografia é um desafio enorme. Se você tem a pretenção de viver assim, saiba que o que menos importa é a sua capacidade técnica com a câmera. Você terá que ser muito mais um empresário do que um fotógrafo. Aliás, nem precisa ser fotógrafo! O caminho mais correto e eficiente é “apenas” gerenciar o negócio. Você terá obrigatoriamente que ter uma equipe de funcionários, fotógrafos que executam as tarefas técnicas enquanto você se ocupa com a administração do negócio. Observe que eu não estou lhe imaginando como um fotógrafo que também é gestor, também é o empreendedor, solitário ou apenas com uma secretária. Não! Isso não é suficiente para um ganho financeiro relevante. Isso não é uma realmente empresa, é um autônomo, um empreendedor sozinho ou quase sozinho. Num empreendimento estruturado na fotografia a equipe realiza a maior parte do trabalho e você administra, coordena. Se você faltar por uns dias, a empresa continua andando relativamente bem e o dinheiro continua entrando. Por outro lado, se o mercado vai bem ou vai mal, você tem sobre si (empreendedor) a responsabilidade de sustentar um corpo de funcionários que vivem do seu negócio também.

As lutas do empresário num país como o Brasil são enormes, independentemente do seu ramo de atuação. Impostos, burocracia, concorrência com informais, dificuldades para obter empréstimos e capital de giro…Na fotografia, que é um mercado de forma geral supérfluo para a vida social e altamente baseado em modismos e mudanças tecnológicas muito rápidas, o desafio é ainda maior.


A fotografia como trabalho autônomo


Se você optar por não ter uma equipe, montar uma empresa com certo corpo de trabalho, saiba que é possível viver disso, mas as dificuldades são também muito grandes. Você não pode ficar doente, não pode tirar umas férias. Tudo é você. Você é a "empresa". O nível de fragilidade financeira é maior, os ganhos serão substancialmente menores. É preciso ter mais do que um capital de giro, você terá que guardar de 6 meses a 1 ano em dinheiro para sustentar-se em momentos de crise ou enfermidades. O seu tempo será em grande parte consumido por atividades não fotográficas como marketing, atendimento, administração da burocracia. O seu nível de exposição ao risco é muito alto. O investimento necessário pode ser contabilmente menor, mas o retorno também o será. Uma família de classe média, com filhos em escola particular, plano de saúde e carro na garagem, dificilmente viverá apenas da fotografia em si, apenas certo mercado voltado ao marketing para fotógrafos gosta de afirmar que isso é comum.

Pode haver também diversos níveis de fotógrafos autônomos, desde aquele que não está formalizado e faz uns pouco trabalhos aos sábados para os amigos até aquele que tem um CNPJ, tem um pequeno escritório e alguma estrutura de marketing, atendimento e finanças. Mas seja como for, saiba que todo o peso e todas as possibilidades de trabalho e renda estarão somente sobre os seus ombros. Com o passar dos anos, a idade vai fazer uma boa diferença especialmente se a área de atuação for em eventos sociais.

O freelancer


O freelancer é aquele que se preocupa mais com a parte técnica e menos com a administração de um negócio. Ele é o operador em si, é quem faz a foto, é quem está na ponta do processo. Ele não é um empresário, ele vende seu trabalho de captura e/ou tratamento de imagem. É um autônomo muito concentrado no fazer fotográfico. Frequentemente trabalha para uma empresa de fotografia ou para um fotógrafo de marca própria. Os pontos fracos dessa categoria é a dificuldade em obter bons ganhos financeiros e, assim como o autônomo, não pode se dar ao luxo de ficar doente. Por outro lado desfruta de uma boa liberdade de escolha de trabalhos.

A fotografia como complemento de renda


Em muitas famílias é comum encontrarmos o seguinte arranjo envolvendo a fotografia. Um dos cônjuges tem um trabalho em uma empresa, ou é empresário, e o outro tem uma atividade complementar, em tempo parcial, na fotografia. Esse trabalho complementar gera entre 20% e 40% dos ganhos totais da família, o que é muito relevante! Esse fotógrafo(a) trabalha geralmente de casa, conciliando as tarefas domésticas com as tarefas fotográficas. Mas no geral, se lhe faltar trabalho a vida segue. É muito melhor se tiver trabalho, mas o sustento principal dessa família não vem da fotografia. Devo dizer que esse é um arranjo muito bom, apesar de haver sempre um toque de frustração envolvido. Isso porque fica claro que esse nível de envolvimento com a fotografia é menos do que poderia ou poderia ser. No entanto é um modelo de conciliação. Além disso, o que “poderia ser” envolve uma série de pesos e dificuldades que este atual modelo não tem. Famílias que podem destinar essa renda extra para os prazeres eventuais como viagens, passeios e gastos supérfluos ou até uma reserva de segurança fazem um ótimo negócio. É uma situação muito boa em termos práticos na vida da família. Talvez seja o caso de se modular as expectativas de forma mais pragmática e aproveitar o que este modelo tem de melhor.

A fotografia como hobby


O cenário é o seguinte: você tem um trabalho como empresário ou como funcionário em uma empresa e dedica parte do seu tempo livre, parte do seu dinheiro, para uma atividade prazeirosa e esporádica: o seu hobby. Uns vão pescar, outros passeiam de moto, outros fotografam. Sem metas, sem projetos, sem ambições, só prazer. Um passatempo agradável e bonito. Esse deveria ser o desejo de muita gente que gosta de fotografia. Mas muitos anseiam por mais. As vezes por conta do ego, querendo ser conhecidos, reconhecidos, famosos. As vezes por uma ilusão parcial pelo menos, de que a fotografia seja uma atividade financeiramente valorizada. Ja foi, antes de 2000, não o é mais. É importante lembrar que um hobby existe para lhe dar prazer, não para lhe dar dinheiro. Pelo contrário, todo hobby consome dinheiro.


A fotografia como arte


Muitos fotógrafos artísticos, assim como artistas de outras áreas descobriram um pouco tristemente mas pragmaticamente que pra se ter uma carreira é preciso estruturar um sustento financeiro fora da arte. É preciso ter uma outra atividade que alavanque e mantenha o seu trabalho artístico. Neste modelo, ser artista significa ter projetos, ter alvos que direcionem os seus esforços e seu tempo, mas sem depender de rendimento vindos da sua criação. Eu tenho que admitir que é um pouco melancólico saber que não é possível (pra quase ninguém) manter-se financeiramente da sua arte, mas por outro lado é um tanto libertador. É um modelo que liberta pelo menos parcialmente, o artista de forças comerciais. Desde o mecenato (ou até antes), já se tinha muito claro que o artista precisa tirar algumas preocupações da mente para produzir bem. Acho bobagem lutar contra isso. O melhor a se fazer é encontrar uma estrutura financeira viável para que o seu trabalho como fotógrafo-artista floresça. A fotografia comercial caminha para uma redução enorme de mercado. As mudanças tecnológicas que a popularizam, também eliminam a necessidade de profissionais em muitos segmentos. E isso tende a se intensificar nos próximos anos. No entanto a fotografia como arte permanece, o que também é limitante visto que nem todos que gostam de fotografia são artistas.


Agindo...


Minha intenção com esse artigo não é desanimar ninguém, mas ajudar a manter os pés no chão, tanto de quem quer entrar no mercado quanto de quem já está lutando na fotografia. Pense bem, considere as possibilidades e ajuste as expectativas. Talvez seja hora de compor um mix de atividades ou implementar um plano a médio prazo para dar maior estabilidade e segurança ao seu ofício. Olhe para a sua vida, olhe para as pessoas que dependem da sua força de trabalho e olhe para si mesmo. Procure um caminho com a fotografia que possa equilibrar os seus desejos pessoais com as suas necessidades. Procure ser ao mesmo tempo pragmático e esperançoso, estrategista e sonhador. Talvez a fotografia não possa (e nem mesmo deva) ocupar tanto espaço quanto você gostaria no seu dia-a-dia, mas talvez possa ocupar um espaço melhor, eu não sei dizer. Cada um, com os pés no chão, precisa analizar e tomar a sua decisão.


Se você quiser marcar uma conversa on-line comigo, terei prazer em tentar te ajudar. Me mande uma mensagem via whatsapp.


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Charbel Chaves Fotografia

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