Fotografia de rua


Pra muita gente a fotografia de rua (americanizadamente Street Photography) é um gênero fotográfico. Para outros apenas um hobby delicioso. Estar na rua com a câmera na mão flanando, é expor-se à uma enorme variedade de temas e situações. Mas, além do prazer em si, fotografar na/a rua é um treinamento precioso. Na rua facilmente encontramos em poucos minutos, os mais diversos desafios: retratos, paisagens, arquitetura, movimentos, fragmentos, contrastes, metáforas visuais, curiosidades, situações inusitadas, manifestações culturais, artísticas ou religiosas... enfim, um leque de opções. Se adicionarmos ainda a esse cardápio variações de luz natural (estações do ano, horários do dia, variações climáticas) temos uma infinidade de possibilidades. A vida de uma cidade acontece em grande parte na rua, no centro, na periferia, nos mercados, bares, igrejas, nas festas. O povo típico de um lugar está lá. A cultura, a arquitetura, as cores, comidas, hábitos e esquisitices também. A rua mostra as bases de um lugar. As bases sociais, culturais. Paralelamente, a história da música popular (em especial o Jazz, o Tango, o Samba, o Choro, a Rumba), vieram do povo. Do povo simples, pobre, comum, intuitivo e criativo dos lugares onde esses gêneros nasceram (EUA, Argentina, Brasil e Cuba). Outras manifestações artísticas importantes das últimas décadas como Hip-Hop, Graffiti e Cordel nasceram das bases sociais de seus lugares. Onde o povo está, onde o povo se encontra, onde o povo transita. É aí que nascem coisas interessantes. Não somente aí. Mas eis um solo muito fértil para a semente da arte popular germinar. Eu quero estar por aí. Quero estar com a minha câmera.









Mas fotografar na rua requer também cuidados e estratégia. Claro, muitas cidades (grandes ou pequenas) não são seguras para um pessoa com uma câmera na mão e nem sempre a população aceita naturalmente uma pessoa apontando uma lente diretamente para as pessoas. Um dos macetes é ser invisível tanto quanto possível. Equipamento pequeno, discreto, quase escondido. Atitude discreta, roupas comuns. Tornar-se, dentro do possível, não detectável, ou pelo menos não dar na cara que você não é do lugar. E estando assim, "caçar" fotos. Outro macete é justamente o contrário: É parar em um bar, pedir alguma coisa, puxar uma conversa comum na feira, comprar uma pimenta no mercado municipal, falar com as pessoas, interessar-se por coisas importantes para elas, fazer amizade e então fazer fotos cordialmente, respeitosamente e sempre que for possível despedir-se com um sorriso franco. Ambas as estratégias são muito eficientes. Cada cidade tem sua atmosfera, tem sua personalidade. Mesmo dentro de um mesmo país ou estado, cada cidade é única. E muitas vezes, as diferenças entre elas podem ser encontradas em pequenos e singelos, quase desprezados detalhes e fragmentos. Frequentemente aquilo que "passa batido" pela maioria das pessoas é tão próprio do lugar que não é mais notado. Entremeando todos os temas possíveis e imagináveis que podemos encontrar na rua está a composição. Compor bem diante e dentro do movimento da cidade, estimula a sua visão e testa seus reflexos tanto no manejo do equipamento quanto na captura antecipada do que irá se tornar uma razoável, boa ou excelente imagem em uma fração de segundo à frente. Citando mais uma vez o universo musical popular, existe um conceito chamado improviso. Improvisar na música, é compor e executar ao mesmo tempo. Na fotografia é perceber que algo gráfico, impactante, interessante irá acontecer e posicionar-se rapidamente enquanto ajusta-se o equipamento para....voilá! Essa sensação de tudo se encontrando (composição, ação, luz) é quase mágica.

Veja aqui algumas dicas pra você praticar fotografia de rua,:1) Grupos: Se possível, não ande sozinho(a). Andar em dupla, trio ou grupo maior inibe bastante a ação de bandidos além de ser mais prazeroso. A companhia de outros fotógrafos pode enriquecer seu treinamento. 2) Atenção: Mais importante que esconder o equipamento com medo de ser assaltado, é ter uma atitude segura e ficar alerta. Seja apenas discreto(a). Olhe ao redor de vez em quando. Um olho buscando uma fotografia e outro atento ao seu redor. Mesmo porque existem os perigos quanto ao trânsito. 3) Equipamento: Menor é melhor. Uma boa lente zoom, de uso geral será uma ótima opção. Mas se você quiser tentar um desafio maior, escolha uma fixa. Eu uso 18mm e/ou 56mm (ambas Fuji). De qualquer forma, vá com pouco equipamento. É mais leve, mais prático, chama menos a atenção. Além disso, se você levar poucas opções de lentes ou apenas uma, precisará se esforçar mais por causa dos limites que escolheu e isso é muito bom para seu desenvolvimento técnico. Confira no dia anterior a carga da bateria, o espaço disponível no cartão e dê uma limpadinha na lente. Deixe tudo pronto com antecedência. 4) Roupas: Escolha bem o seu calçado e roupa. Facilmente perdemos a noção do tempo e frequentemente caminhamos muito. Por isso, cuidado com o sol e o solo. Calçados leves e confortáveis, um boné e um protetor solar vão muito bem. Alimente-se bem e beba água antes da caminhada. 5) Temas: Tenha uma listinha de assuntos-chave. Nas ruas da cidade temos oportunidade de fotografar uma variedade enorme de temas. Vou listar aqui os mais corriqueiros e creio que essa lista pode ser uma boa companheira:

  • Arquitetura

  • Detalhes arquitetônicos (portas, janelas, trancas, ornamentos…)

  • Movimento

  • Retratos (tipos e semblantes)

  • Graffitis

  • Texturas (paredes, muros, pisos)

  • Objetos antigos ou inusitados

  • Artistas de rua

  • Monumentos históricos

  • A fé das pessoas

  • Pessoas trabalhando

  • Tipos físicos típicos ou estranhos

  • Problemas da cidade

  • Artesanato

  • Gastronomia

  • Peculiaridades da cidade

  • A relação das pessoas com o dinheiro

  • Marcas do tempo

  • Animais

  • Rastros de gente

  • Silhuetas

  • Sombras

  • Reflexos

6) Enquadramento: Pense em enquadramentos amplos e restritos. Muitas vezes a cidade é caótica demais. Muita informação num enquadramento. Reduza isso. Feche o ângulo de visão. Recorte a realidade para criar fotos mais objetivas e limpas. 7) Fora do comum: Olhe para onde as pessoas não estão olhando. Varie o seu ponto de vista. Coloque a câmera mais próxima ao chão, ou suba em alguma coisa. Olhe para cima. Encoste a câmera paralelamente a uma parede. Veja pelo olho dela. Saia da sua posição padrão. Experimente fotografar inclinado. Brinque com a geometria e com o movimento da cidade. Experimente subexpor muito, sobrexpor muito, arrastar o obturador, panning, zooming…divirta-se! 8) Categorias fundamentais: Procure três tipos de imagens: paisagens, personagens, ações. Pense sempre nesses três universos.




9) Tocaia: Procure um fundo interessante e espere algo acontecer em frente a ele. Um graffiti, uma parede de cor chamativa, uma vitrine com reflexo, ou uma poça d'água. Ache o lugar, faça uma foto de teste (para o foco e exposição) e tenha paciência. Alguém interessante logo vai aparecer e completar a cena pra você.


10) Saiba perder: Muitas vezes perdemos “aquela” foto. Isso é como tocar em uma banda. Se você toca o piano e perdeu o ponto onde a música está, ninguém vai parar o show para você retomar. Pegue o “bonde andando”. Enquanto você lamenta uma foto perdida, está perdendo as próximas. A vida é assim mesmo. Concentre-se sempre na próxima foto. 11) Abordagens: existem basicamente 2 formas de abordagem na rua em relação às pessoas: primeiro, fotografar discretamente, voyer, espiando. Segundo, “cara-de-pau”. Aponte diretamente e faça a foto. Mas prepare-se para correr eventualmente. A maneira que você vai escolher depende muito da sua personalidade. Se você está pensando em uma 3a maneira (pedir permissão conversando), isso faz parte do universo vizinho à fotografia de rua, o documentário. Mas quem sou eu pra te impedir!



12) Geometria: Existe um prazer estético na geometria. A fotografia de rua vai te mostrar isso. Brinque com as formas, pelas formas apenas. Use prédios, linhas, curvas, postes, objetos como se fossem elementos geométricos puros. Perceba a ocupação que eles fazem no quadro fotográfico. Gire a câmera, incline, aproxime, afaste…experimente as formas em si. Pense mais como um designer gráfico nesta hora.


13) P&B: Fotografar em preto e branco é simplificar. Você está tirando uma informação muito relevante da cena. Lugares com texturas interessantes ou contrastes fortes geralmente ficam muito bons em P&B. Um exercício muito bom, é deixar a sua câmera configurada em P&B, assim ela te ajudará a “pensar” sem cores. 14) RAW: Fotografe em RAW sempre. Mas especialmente na rua. Durante o dia e com as grandes sombras que a cidade produz, geralmente vamos querer fazer algum ajuste de sombras e realces posteriormente. Pra isso, nada melhor que fotografar em RAW. As possibilidades de ajustes posteriores serão bem maiores. Saiba mais sobre isso aqui. 15) Locais: Existem locais clássicos: feiras livres, mercados municipais, praças, pontes, cafés, igrejas. Comece por esses e as ruas ao redor deles.


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Charbel Chaves Fotografia

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