Fotografando a palavra



A relação entre a palavra e a imagem é intensa e inevitável. A relação entre o texto e a fotografia é assunto para uma vida toda. Cada palavra é um universo em si e pode nos despertar visualmente para um conjunto de elementos coerentes com esse universo. Também, uma palavra se relaciona com outras, como as pessoas. Umas se opõem, outras se complementam, algumas inspiram outras, se tocam, se sobrepõem, se misturam… uma palavra é uma pequena caixinha com um mundo enorme dentro. Ela é maior por dentro do que por fora. Mas a nossa idéia aqui é partir da palavra para a imagem. Para isso é bom criarmos um caminho de exploração da palavra. Um exercício excelente para o desenvolvimento do fotógrafo é criar ensaios autorais a partir de uma palavra. Ou seja, fazer uma transposição de uma linguagem para outra. Passar do texto para a imagem. Se o seu tema for um objeto, algo concreto, material, é tudo muito fácil e direto. Um ensaio sobre parafusos, mostra parafusos. Mas e se o tema for abstrato? Por exemplo: tranquilidade. Vamos explorar a palavra: o mundo está cada vez mais complexo, mais agitado, mais cheio de tudo. Simplificar, acalmar e esvaziar são coisas muito desejadas hoje em dia. E é difícil fazer isso em muitas áreas da vida e para algumas pessoas é mais difícil ainda. A vida anda oposta a tranquilidade. Como compor, como pensar em uma fotografia que represente a tranquilidade? Ou ainda, como é uma fotografia tranquila? Bem, talvez você esteja imaginando um bebê dormindo, ou uma paisagem bucólica numa tarde de outono, ou quem sabe o rosto de uma pessoa que você sabe que tem uma personalidade tranquila. Mas não é disso que eu estou falando agora. Isso é cena tranquila, personagem tranquilo. O que estamos buscando primeiramente é o conceito de tranquilidade na fotografia. É tranquilidade gráfica, visual. Eu creio que não existem sinônimos totais, perfeitos, puros. Existem palavras que são bem chegadas, bem próximas, mas com algum “vazamento” de significado, algumas nuances, algumas tonalidades diversas umas das outras. E isso é enriquecedor para o pensamento. As palavras que eu associo à tranquilidade são: paz, suavidade, calma, lentidão, leveza, solitude, vazio, simplicidade. Veja que não são objetos, são abstrações. Agora, pense em elementos composicionais disponíveis na linguagem fotográfica nessa linha:

  • Poucos elementos

  • Espaços livres

  • Paleta de cores reduzida

  • Taxa de contraste pequena

  • Pouca profundidade de campo

  • Enquadramento que simplifique a cena

  • Fundos simples

  • Simplicidade de formas

  • Simplicidade de texturas

  • Luz suave e de fonte única

Podemos pensar em muitos mais, mas isso é suficiente. Repare que os próprios elementos visuais que compõe uma fotografia, tem em si personalidade (como as palavras). Algumas texturas são rudes, agudas, delicadas. Algumas luzes são duras, diretas, fortes, amplas. Algumas cores são energéticas, frias, agitadas, calmas. A quantidade de elementos na cena pode expressar confusão, ordem, ritmo, quebra de ritmo… enfim, elementos de composição que tem personalidade “tranquila”, que simplificam, que esvaziam, devem ter preferência neste nosso ensaio sobre a tranquilidade. Cabe uma observação aqui. Neste ponto, você deve estar pensando também sobre as possibilidades e ferramentas para a pós-produção. Conhecer bem os recursos nesta área e perceber quando e como cada recurso colabora para a expressão desejada é fundamental. Às vezes essa etapa é tratada com certa leviandade. Um exemplo clássico é a transformação de fotos coloridas em P&B. São linguagens estéticas diferentes e sua escolha não depende apenas do "gostar". Saber o porquê de uma alteração estética é sim importante. Como autor da fotografia, eu quero e devo responder a esse tipo de questão. Agora, além de tudo isso, ainda é possível ter personagens (animados ou inanimados), paisagens ou ações retratadas na fotografia com sua própria tranquilidade. Um simples objeto pode trazer consigo uma personalidade, significado, intenção. Vamos pensar em alguns: arame farpado, relâmpago, cadeado, uma moeda, um pezinho de bebê, uma janela, o céu, uma árvore. São objetos simples e corriqueiros. Alguns tem significados pessoais, circunstanciais ou universais. O vermelho, por exemplo, está relacionado à guerra, sangue, ódio, amor, vida, perigo. Uma árvore remete à vida, família, tempo longo, abrigo, vitalidade. Uma lágrima geralmente é assossiada à dor ou tristeza. E assim por diante. Os elementos representados tem também suas personalidades. Significam mais do que o visível fisicamente. Pessoas representadas transmitem muito significado porque temos a expressão facial e corporal, características físicas e a vestimenta como fontes de informação e expressão. O seu tema de trabalho (no nosso exemplo, a tranquilidade) pode abranger as duas esferas da imagem: primeiramente os elementos composicionais da fotografia (cor, textura, posicionamento, luz, enquadramento, ponto de vista…) e também os elementos representados (objetos, pessoas, ações e ambientes). Se for possível unir as duas coisas, teremos uma imagem que fala. Uma imagem-palavra. Uma fotografia da tranquilidade, a nossa palavra-conceito da vez. Mas veja que a fotografia só exibe o material (fisicamente). E tranquilidade é um conceito, não um objeto. Mas só podemos fotografar algo visível. Não fotogramos o abstrato, entretanto o abstrato é abstraído dos objetos representados e da forma como são representados. O caminho é usar a abordagem adequada e assim podemos carregar uma fotografia com uma segunda camada expressiva, a do significado usando elementos de composição ligados pela sua personalidade ao tema e os elementos representados. E talvez despertar o observador para uma terceira camada, a da imaginação. Assim, a fotografia caminha do ver, para o perceber e finalmente para o imaginar. Mas sobre o imaginar, falaremos em outra ocasião.


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Charbel Chaves Fotografia

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