Fama e fotografia



Existem dois tipos de pessoas famosas (fotógrafos ou não): o primeiro é o que ficou famoso por conta da sua obra. Foi tão excelente no que produziu que a fama foi uma consequência. O segundo é o que constrói a fama para obter algum resultado dela (geralmente financeiro).


Eu tive um professor de Literatura no colégio técnico chamado Francisco Barel. Não creio que você o conheça. Talvez um pequeno círculo de profissionais das letras o conheçam. Mas professor Barel aventurava-se a ensinar apaixonadamente literatura brasileira para 60 alunos da minha turma do colégio de técnico de eletrônica. Imagine você que literatura não devia ser um interesse muito evidente numa turma dessas. Mas esse senhor de roupas bem arrumadas, rosto comprido e pasta de couro um pouco surrada na mão, insistia em entrar pela porta, batê-la com força e, no susto dos alunos com o barulho, começava a quase sussurrar Carlos Drummond de Andrade, de cor, longamente, interpretando com a aptidão de um ator. Uma turma inteira de adolescentes barulhentos de repente quietos e atentos. Eu me sentia um ratinho indo atrás do flautista. Nunca vou me esquecer dessas entradas poéticas do professor Barel. Ele tinha autoridade técnica, habilidade e conhecimento. Marcou minha relação com a leitura pra sempre.


O mercado de fotografia hoje produz em maior quantidade gente "famosa" que gente produtiva. Mas isso não é privilégio nosso. O jornalismo, a medicina, a teologia, o direito... também passam por isso. É um traço da pós-modernidade. Uma sociedade de espetáculos.


As pessoas em geral não querem gastar 5, 10, 15 anos estudando fotografia. Querem ser conhecidas. Não querem nem mesmo ler! Compram livros que ficarem nas estantes empoeirando. Fazem cursos e não praticam. Trocam de equipamento para ver se "a fotografia melhora". Pagam para ir a congressos que não adicionam nenhum conhecimento que influencie sua obra, sua técnica ou linguagem. Gastam dinheiro para ouvir alguém contar "histórias de superação" (a grande maioria fantasiosas), autopromover-se, e ainda acham que foi um bom negócio. Estudar arte, iluminação, composição, curadoria, técnica, linguagem... não, isso dá trabalho demais.


Vejo alguns colegas trabalhando duro para criar um workshop/curso com conteúdo relevante, contato próximo com os alunos e transferência conhecimento e experiência. Esses mal conseguem alguns inscritos. Por que? Porque o que está sendo buscado é a fórmula para o sucesso! Não para a competência. Muitos alunos querem um guru, não um professor. Querem alguém que faça a turma chorar, não fotografar melhor, ver melhor, entender o mundo ao seu redor e capturá-lo com uma câmera.


Os cursos de marketing digital para fotógrafos andam mais cheios que os cursos de técnica fotográfica. Tornar-se uma celebridade é urgente. Tornar-se um fotógrafo é um empecílio, pois demanda muito tempo de estudo, treino e produção. E isso demora 10 anos, pelo menos. Temos uma geração de fotógrafos fruto de dicas.


Sei que grandes nomes como o nosso Sebastião Salgado são inspirativos. Pra mim também. Sou fascinado pelo trabalho dele e de outros tantos. Mas para se chegar onde estes grandes chegaram (boa fama construída pela obra excelente) é preciso esforço e coragem. O preço a pagar é grande.


Fotógrafos consistentes são eternos insatisfeitos. Estão sempre melhores que a sua própria versão de ontem. A obra vai se constituindo ano a ano conforme ele mesmo vai se transformando como pessoa e intensificando seu ofício. A obra é fruto de trabalho insistente e consciente. Não é fruto de campanhas de marketing digital conduzidas por Facebook, Instagram e Google.


Eu concluo que, você pode se tornar famoso por uma obra relevante. Relevante para alguns, como o professor Barel. Vai demorar. Mas vai mudar a vida de pessoas ao seu redor. Vai construir dignidade. Vai inspirar outros. Ou, pode se tornar famoso sem obra nenhuma, um produto em si, uma celebridade, folha que o vento espalha. Basta pagar. Pagar por clicks, por likes, por publicidade. Isso gera dinheiro e fama, mas não gera um bom fotógrafo, não gera algo que valha a pena para os outros.


Criar uma celebridade sempre dependeu de inve$timento. Criar autoridade sempre dependeu de dedicação. Pense nisso!


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Charbel Chaves Fotografia

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