Eu professor, eu aluno



Winplash. Acabei de assistir. Já tinha ouvido falar. Um filme excelente. Atuações excelentes. Lindo. Cheio de imagens luminosas, quentes e simbolismos delicados. Trilha belíssima. A luz, as locações, o figurino, tudo muito harmonioso. Um monte de citações a grande talentos do passado da música americana. O filme não deixa sua mente num lugar só. Assim como na música, no filme existe uma excelente condução, pulso, movimento, tensões e repousos se revezando o tempo todo. O filme fala de conflitos. Muitos. Conflitos paralelos representados por dois personagens: um grande professor de música e um grande aprendiz de bateria. Ambos excelentes no que fazem. Ambos igualmente intensos. Cada um à sua maneira. O professor é um homem de meia idade mas de muito vigor físico e mental. Convicções precisas, claras, duras, fortes e incompreendidas. O aluno, um jovem, ainda com espinhas, um sonhador obstinado. Lutador. Ele conhece e não se conforma com seus limites. O professor está em busca de alguém que queira romper seus próprios muros. Ambos são viciados em superação, em ir além. Ambos são totalmente auto-conscientes. Ambos são um só. Os dois personagens vivem dentro de uma pessoa que tem o gosto pela palavra excelência. A excelência nem sempre ouve o que se passa ao redor dela, como por exemplo, o pai do baterista, um homem sensato e feito pela vida que viveu. Aquele tipo de sensatez gerada por lutas lutadas e perdidas. Mas a excelência apenas quer existir. E existindo, gerar uma prole. Tenho um pouco de medo (que não gostaria de ter) em perceber que o filme me tocou tanto. Pessoas ao redor de pessoas obstinadas sofrem. Obstinados, intensos, também sofrem, e podem ser culpados por si mesmos, pela própria conduta e pelos que estão ao redor. A obstinação, pode levar a lugar nenhum se for canalizada à um objetivo errado. Pode parecer loucura se não houver tanta vida quanto necessário para parir seu fruto. A obstinação é perigosa. E ao mesmo tempo deliciosa. Irresistível, eu acho. Mas me parece mais perigoso sair do palco. Parar de sangrar. Sempre haverá alguém com uma lápide em forma de abraço onde estará escrito: bom trabalho, você fez o que pode. Me parece mais mortal abafar. A excelência frutificará de qualquer maneira, o seu bem ou o seu mal. Quem tenta represar uma energia assim acabará se queimando. Durante o filme, também fiquei tentado a dar muita atenção a um personagem onipresente, uma espécie de “espírito” em quase todas as cenas conflituosas: o ego. Mas não o vi como um protagonista. Ele apenas está lá porque ele está em todo lugar. Simplesmente é parte do cast. Não tem jeito. O professor é o mais lógico. É o que tem menos crises (mas as tem). É o seguro, o mais velho, o que já sabe que isso tudo tem que ser assim e já conhece os preços cobrados pelo caminho. É o que não tenta, nem pensa mais em fugir. Não tem expectativas irreais. Ele simplesmente caminha em direção do que considera o alvo. O aluno, por sua vez, está descobrindo. Está aprendendo a caminhar, a se entregar. Está aprendendo a suar e sangrar. Ambos precisam um do outro. São complementares. Morte seria a não existência do outro. Um é o alimento que o outro precisa. A vitalidade de ambos é interdependente. Ambos vivem dentro de uma só pessoa. São apenas arquétipos do nosso interior. Quem pode parar um ou outro? Só seria possivel se um dos dois desistisse, mas isso não faz nenhum sentido, e não acontecerá. São intensos, obstinados. É melhor deixar que se entendam. Nos últimos compassos, eles estarão em perfeita harmonia. Não que não estivessem antes. Estavam, mas de uma meneira geralmente incompreendida. Geralmente dolorosa. Existe uma ordem interna de convivência. Aparentemente dura, ríspida. Mas são na verdade um tipo especial e belo de harmonia. São apenas duas vozes de uma mesma fuga. Não é preciso ter medo, mas o medo vai entrar em cena algumas vezes. E haverá alguma dor extra por isso. Ou muita, não sei. Mas, no fim, a música terminará muito bem. O show será aplaudido, por poucos.


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Charbel Chaves Fotografia

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