Blog

Conceitos básicos

Lightroom

Negócios

Linguagem

  • Instagram - Cinza Círculo
  • YouTube - círculo cinza
  • Facebook - círculo cinza
  • LinkedIn - círculo cinza
  • Pinterest - círculo cinza
  • Twitter - círculo cinza

Charbel Chaves Fotografia

Fotografia | Estúdio | Eventos | Cursos

Rua Valdemar Bertoldi, 420

Alvorada Parque - Paulínia, SP

+55 (19) 99756-3999

Como se faz uma boa fotografia?



Cada coisa que compõe a vida, formação e rotina de um fotógrafo tem sua importância. Mas algumas são frequentemente valorizadas e outras são deixadas em segundo plano. Minha intenção aqui é chamar a atenção para o real valor de 4 elementos do fazer fotográfico. São 4 áreas que devem ser levadas em conta e aprimoradas constantemente. Então, na minha opinião, como se faz uma boa fotografia? A importância do equipamento Me lembro quando comecei a estudar música. O instrumento musical que eu tinha era relativamente simples mas totalmente adequado para os meus estudos. Conforme eu praticava e me desenvolvia na música fui naturalmente percebendo que o instrumento estava limitando meu progresso. Eu comecei a notar os limites daquele instrumento conforme eu me aprimorava. Ele não era inadequado, apenas limitado. Logo tive que substituí-lo para que eu pudesse continuar meus estudos. A fotografia é uma linguagem que não existe sem equipamento. Ele é o meio pelo qual realizamos a atividade da fotografia. E infelizmente, equipamentos fotográficos são caros. Os bons, mais caros ainda. Mas a linguagem não é o equipamento. Ela apenas usa o equipamento. Um equipamento melhor, facilita o uso mas não o define. É comum algumas pessoas se “apaixonarem” pelo equipamento. Isso não é um fenômeno apenas da fotografia. Músicos, mecânicos, pescadores, ciclistas, desenhistas, cozinheiros… são seres que correm esse risco também. Frequentemente desenvolvem um apego excessivo pelo ferramental da atividade. Gostar das ferramentas não é ruim em si, se for mantido em um determinado nível. Mas pra tudo existe o nível patológico, então é preciso observar-se sobre isso. Não existe um equipamento fotográfico (câmera+lentes) ideal para tudo. Cada categoria de câmera é desenvolvida com ênfase em um tipo de trabalho fotográfico. Eu sou documentarista. Meu equipamento deve ser leve, discreto, prático. Para um profissional da área de moda, as exigências são outras, para quem trabalha com esportes, outra. O mesmo acontece com as lentes. Cada uma tem qualidades e defeitos. Lentes possuem um conjunto grande de especificação (distância focal, abertura máxima e mínima, distorções, aberração cromática, velocidade de foco, estabilização, nitidez, vedação, peso, tamanho, preço e muito mais) e saber qual se adequa a cada tipo de trabalho é importante para extrair o melhor resultado. Uma boa câmera, escolhida especificamente para o trabalho fotográfico que se deseja realizar e um bom conjunto de lentes é uma bênção. Facilita muito, dá prazer e dá os resultados desejados. Entre a câmera (corpo), as lentes e tudo mais que se pode comprar, o mais importante são as lentes. Lentes de qualidade são para a vida toda. As mais modernas, de primeira linha são quase sempre melhores em desempenho técnico que as mais antigas. Algumas antigas marcaram época com razão e as vezes por características que nunca mais foram vistas em gerações posteriores. Mas as novas tecnologias de moldagem e tratamento de materiais usadas para a fabricação de lentes são cada vez mais precisas e entregam um produto com desempenho técnico cada vez melhor. A câmera nos dá precisão, controle e conforto. As lentes são responsável pela qualidade, estética e narrativa da imagem. O confunto câmera + lente precisa estar bem especificado para o trabalho. Outra faceta dessa relação complicada entre o fotógrafo e seu equipamento é o manual de instruções! Ah, o manual! Desprezado, mas também ele não ajuda. É feito de maneira a complicar a vida de muita gente ao invés de facilitar. A linguagem escrita é demasiadamente técnica, pouco amigável ao usuário. Mas também você não ajuda! Não deu uma chance à ele. Não gastou algumas horas identificando nem mesmo o básico. É difícil lidar com o manual na maior parte das vezes, mas é necessário. Dominar os recursos do seu equipamento é fundamental. Achar que simplesmente ter uma câmera top de linha vai resolver seu problema, é uma ilusão cara. Muito mais proveito (e resultado) tem aquele que extrai tudo o que pode de um equipamento básico do que aquele que desconhece as funcionalidades de um equipamento sofisticado. Enfim, o equipamento é importante. Tem seu lugar. E dentre todos os equipamentos fotográficos, as lentes devem ter a sua maior atenção. E precisa ser dominado! A importância do tema A maior parte do impacto de uma grande imagem está no tema retratado e na forma como ele foi retratado. Uma foto sobre algo interessante faz dela algo interessante. E o que chamamos interessante ou não varia conforme o autor, objetivos e seu público-alvo. O tema é o que a foto carrega. É seu conteúdo, o conceitos. É uma desenvolvida e apresentada em forma de imagem(ns). Uma foto tecnicamente imperfeita com um tema relevante ainda é uma foto interessante. Mas uma foto esteticamente perfeita ou sofisticada sobre um tema irrelevante é algo quase irritante. É esforço desprendido para nada. Outro aspecto importante sobre o tema se refere à maneira como o capturamos (a abordagem do tema). Muita coisa compõe a abordagem: desde questões simples (mas muito importantes) como ponto de vista, contato interpessoal com pessoas fotografadas, enquadramento, distância focal… até o momento, as sutilezas da cena, o endentimento sobre o tema e sua relação pessoal com ele. Eu costumo defender a idéia de que o que define o estilo de um fotógrafo é prioritariamente (não exclusivamente) a sua relação pessoal com o tema. A maneira como ele entende aquilo que está fotografando. Diante de um tema qualquer, todos nós temos questões, admirações, ressalvas, explicações, opinião, julgamentos. É normal, inevitável e desejável que tenhamos. O conjunto das reflexões que fazemos e temos sobre os temas adicionam personalidade à imagem que fazemos deles. Isso é a nossa relação com o conteúdo. É impossível ser imparcial. Se você ainda acredita em imparcialidade na comunicação, ainda vai sofrer por um tempo. Ela não existe. Nossa abordagem impacta a aparência da fotografia, mas nasce dos conceitos que construímos primeiramente. Joe McNally diz: “se você quer fazer fotos interessantes, seja uma pessoa interessante” finalmente, é melhor uma embalagem simples sobre uma jóia do que uma embalagem sofisticada sobre algo sem valor. Ansel Adams cunhou uma frase sobre isso: “Não há nada pior que uma imagem nítida de um conceito impreciso.” A importância do olhar Já teve aquela sensação ao olhar a foto produzida por alguém, feita em um local que você já passou e se perguntar: “como eu não vi isso?!”. Pois é, creio que muitos de nós já tivemos. Eu já tive muitas vezes. Algumas pessoas tem essa capacidade bem desenvolvida: ver coisas interessantes onde outras pessoas não veem. Podemos pensar nessa capacidade sob dois pontos de vista: 1) A pessoa que vê o que eu não vejo é dotada de uma sensibilidade especial. Ela valoriza e é tocada por coisas que eu não sou. 2) A pessoa que vê o que eu não vejo é dotada de um poder de observação especial. Ela tem o “radar ligado”. As duas coisas são treináveis. Algumas pessoas já são assim. Mas ser sensível e observador são habilidades que podem (e no caso dos fotógrafos, devem) ser desenvolvidas. Todos somos sensíveis à determinados assuntos e todos observamos mais alguns assuntos/coisas que outros. A questão é: porque é que algumas coisas me tocam mais e porque é que eu observo com mais atenção algumas cenas? Nossa estrutura pessoal, as coisas que nos fazem ser quem somos, é complexa e foi construída em boa parte, sem que nos dessemos conta disso. Conhecer-se bem é especialmente útil para tomarmos controle do processo de desenvolvimento das nossas habilidades. Sua formação familiar, religiosa, estudantil, política, cultural… molda em grande parte (não totalmente) aquilo que te atrai, aquilo que te toca, aquilo que realmente importa pra você. E isso vai transparecer na sua produção fotográfica. Vai influenciar a sua relação com os temas! Vai construir seu estilo fotográfico. Tudo o que você já viveu ajudou de alguma forma a construir a pessoa que você é hoje. Os livros, os filmes, os amigos, as conversas, as músicas, as palestras, seus relacionamentos, até seus hábitos alimentares, esportivos, recreativos…tudo isso é a sua cultura pessoal. Todas as coisas são usadas pela sua mente para tomar decisões e buscar novas coisas. Por isso é importante ser seletivo e criterioso com a sua formação cultural em geral. Quanto maior a qualidade dos insumos que sua mente consome, melhor para a sua produção fotográfica. Um dos fotógrafos brasileiros mais ilustres, Sebastião Salgado, cunhou a frase: “você não fotografa com sua câmera, fotografa com toda a sua cultura”. Tanto sensibilidade quanto atenção são características pessoais que podem crescer ou decrescer. Ambas precisam de estímulos, treinamento. No campo da sensilidade, eu não vejo maior fonte que a poesia, não necessariamente o poema. Não necessariamente na literatura. Poesia, que está na música, no design, na arquitetura, na gastronomia, no cinema, na dança… Os poetas são construtores criteriosos. Eles rondam um tema, maturam idéias, avaliam pontos de vista diferentes, meditam, contemplam. Depois escrevem, projetam, garimpam, retiram, substituem, simplificam, buscam sempre a essência. Chegar à essencia de algo é difícil. Demanda tempo. Para um poeta, nada é por acaso, nada é sem motivo. Tudo deve colaborar para a comunicação poética. Um poeta não acumula, ele coleciona. Idéias, palavras, imagens, expressões, maneiras, fragmentos. Existem critérios. Assim, um tema ordinário pode ser tornar grande pela maneira que é visto, entendido e descrito. No campo da observação, o treinamento pode ser mais frio e pragmático. Os estímulos visuais podem ser referenciados mais diretamente. Estude sobre texturas, procure texturas ao seu redor. Estude sobre relação das cores, procure essas relações. Estude sobre luz e sombra, procure o chiaroscuro ao seu redor… Geometria, volumes, espaços, planos, perspectivas, metáforas, contrastes… É entender e procurar, elemento por elemento. Seu cérebro ficará naturalmente atento. A poesia te dará a sensibilidade, a observação te dará a forma. O tema e o olhar sobre as cenas, objetos e pessoas estão intimamente ligados. Essa separação que faço aqui apenas para fins didáticos não existirá na prática. A poética, a observação se aplicam sobre tudo o que você vê, interpreta e captura. Mas a captura, antes de ser óptico-eletrônica, é uma apropriação pessoal. O que você fotografa torna-se, em algum nível, seu. A importância do acabamento A fotografia precisa (e sempre precisou) de pós-produção. Ingenuidade pensar que uma fatografia sai pronta da câmera. O processo fotográfico não termina na câmera, ele continua. Se você crê que uma foto sai pronta da câmera é porque acredita que a ela não processa sua fotografia. Acredita que aquilo que você vê na tela de LCD é o que a câmera viu. E isso é falso. Um arquivo JPG nativo de qualquer marca de câmera tem uma carga enorme de processamento. Nitidez, cores, curva de tons, contraste, distorções e correções, tudo analisado e processado com base em um algoritmo próprio de cada marca. Tudo isso foi feito pelo software interno da sua câmera e você provavelmente nem sabia. Quando fotografamos em RAW (arquivo cru, negativo digital) temos a possibilidade de assumir pessoalmente o tratamento na imagem conforme nossos objetivos, porque o RAW é o registro mais próximo possível daquilo que o sensor capturou. Quando a pós-produção de uma imagem é feita com critérios comunicativos, a imagem cresce, ganha eficiência. O acabamento na fotografia nunca deve ser um fim, nunca deve ser a obra. Ele serve aos objetivos da obra. E o domínio das ferramentas e procedimentos de pós-produção interferem positiva ou negativamente no ato fotográfico. Um fotógrafo desleixado facilmente cederá à tentação de consertar a imagem à posteriori. Mas um profissional dedicado irá sobrepor as camadas de trabalho em cada etapa, usando das melhores práticas, de forma que a obra final atinja um objetivo previamente estabelecido. Tratamento de imagens é um campo de estudo tão amplo, com tantas possibilidades e ferramentas que existem profissionais especializados apenas nessa etapa ou em partes dela. Eu, pessoalmente entendo que meu trabalho deva ser realizado de ponta a ponta por mim mesmo. Mas é uma postura muito pessoal. É possível transferir para outro profissional as tarefas de tratamento de imagem ou parte delas desde que a linha de pensamento do trabalho seja preservada. Mas cuidado! Ao mesmo tempo que um tema irrelevante com acabamento sofisticado é um problema. O contrário também pode ser. Não existe motivo para rejeitar o bom acabamento da imagem só porque o conteúdo dela é relevante. As coisa não são e não precisam ser excludentes. Um exemplo pra mim que combina muito bem conteúdo e acabamento é o trabalho do fotógrafo americano Steve McCurry. Resumindo:

  • Tenha um bom equipamento e saiba usá-lo

  • Entenda seus temas

  • Aprenda a ver

  • Assuma o controle do acabamento da imagem