Cartão postal


Uma daquelas coisas que ficam esquecidas naquela gaveta que chamamos de passado, ou "do meu tempo" (engraçada essa expressão, mas disso eu falo noutro post), é o cartão postal. Eu, também junto a ele, o selo, a carta, o lápis... coisas simples e que marcam a vida de muitos de nós.

O cartão postal é talvez, uma versão antiga da publicação do Instagram. Era um jeito, quando o enviávamos, que tínhamos de trazer ou levar uma viagem nossa para a vida de pessoas queridas. Ou, quando o recebíamos, ganhamos um pouquinho daquele lugar como um abraço visual.

O cartão postal é icônico, simplificante, mas representativo. Ele cria no observador uma visão desejada do lugar ou tema. Devíamos fazer de algumas fotos, "tipo" cartão postal!


Alguns, armados de um lápis, fazem de poemas:


Cartão Postal


Murilo Mendes

Domingo no jardim público pensativo

Consciências corando ao sol nos bancos, bebês arquivados em carrinhos alemães esperam pacientemente o dia em que poderão ler o Guarani. Passam braços e seios com um jeitão que se Lenine visse não fazia o Soviete. Marinheiros americanos bêbedos fazem pipi na estátua de Barroso, portugueses de bigode e corrente de relógio abocanham mulatas.

O sol afunda-se no ocaso como a cabeça daquela menina sardenta na almofada de ramagens bordadas por Dona Cocota Pereira.


de Poesias, 1925/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1959

Cartão Postal

Toquinho

Bem de manhã cedinho

Chega a vida de mansinho

Na praia alguém sozinho

Correndo atrás do sol.

Ao lado, quinze andares

Fazem sombra aos pescadores.

Na esquina, dois senhores

Discutem futebol.

A isso eu junto um sonho desfeito,

Um despeito e uma paixão.

Um mau pressentimento

E um bom samba-canção.

Um amor antigo,

A mão de um amigo

E um cartão que me mandaram

Mas nunca chegou.

Nesse cantinho de quarto, sozinho

Penso em todo o tempo que passou.

Depois da caipirinha

Feijão preto com farinha.

Uma garoa fininha me dá satisfação.

Na praça, à meia-noite,

Conta o muro, bicicletas.

A cauda de um cometa riscando a escuridão.

A isso eu junto um amor profundo

E um perdão que não neguei.

Um batizado e um cheque sem fundo que passei.

Junto, no ato, o azul de meu quarto

E essa vida que é um enfarto no meu coração.

Hoje se parte.

Partir é uma arte que faz tudo ser recordação.

Cartão Postal

Cazuza

Tudo é tão simples que cabe num cartão postal E se a história é de amor Não pode acabar mal O adeus traz a esperança escondida Pra que sofrer com despedida? Se só vai quem chegou E quem vem vai, vai partir Você sofre, se lamenta Depois vai dormi Sabe

Alguém quando parte é por que outro alguém vai chegar Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar Pra que querer ensinar a vida? Pra que sofrer? Baby só vai quem chegou E que vem vai partir Você sofre, se lamenta Depois vai dormir Sabe

Alguém quando parte é por que outro alguém vai chegar Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar Pra que querer ensinar a vida? Pra que sofrer com despedida?


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Charbel Chaves Fotografia

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