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Charbel Chaves Fotografia

Fotografia | Estúdio | Eventos | Cursos

Rua Valdemar Bertoldi, 420

Alvorada Parque - Paulínia, SP

+55 (19) 99756-3999

Cartão postal


Uma daquelas coisas que ficam esquecidas naquela gaveta que chamamos de passado, ou "do meu tempo" (engraçada essa expressão, mas disso eu falo noutro post), é o cartão postal. Eu, também junto a ele, o selo, a carta, o lápis... coisas simples e que marcam a vida de muitos de nós.

O cartão postal é talvez, uma versão antiga da publicação do Instagram. É um jeito, quando o enviamos, que tínhamos (e ainda temos, diga-se de passagem) de trazer ou levar uma viagem nossa para a vida de pessoas queridas. Ou, quando o recebíamos, ganhamos um pouquinho daquele lugar como um abraço visual.

O cartão postal é icônico, simplificante, mas representativo. Ele cria no observador uma visão desejada do lugar ou tema. Devíamos fazer de algumas fotos, um cartão postal! Alguns fazem de poemas.


Cartão Postal


Murilo Mendes

Domingo no jardim público pensativo

Consciências corando ao sol nos bancos, bebês arquivados em carrinhos alemães esperam pacientemente o dia em que poderão ler o Guarani. Passam braços e seios com um jeitão que se Lenine visse não fazia o Soviete. Marinheiros americanos bêbedos fazem pipi na estátua de Barroso, portugueses de bigode e corrente de relógio abocanham mulatas.

O sol afunda-se no ocaso como a cabeça daquela menina sardenta na almofada de ramagens bordadas por Dona Cocota Pereira.


de Poesias, 1925/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1959

Cartão Postal

Toquinho

Bem de manhã cedinho

Chega a vida de mansinho

Na praia alguém sozinho

Correndo atrás do sol.

Ao lado, quinze andares

Fazem sombra aos pescadores.

Na esquina, dois senhores

Discutem futebol.

A isso eu junto um sonho desfeito,

Um despeito e uma paixão.

Um mau pressentimento

E um bom samba-canção.

Um amor antigo,

A mão de um amigo

E um cartão que me mandaram

Mas nunca chegou.

Nesse cantinho de quarto, sozinho

Penso em todo o tempo que passou.

Depois da caipirinha

Feijão preto com farinha.

Uma garoa fininha me dá satisfação.

Na praça, à meia-noite,

Conta o muro, bicicletas.

A cauda de um cometa riscando a escuridão.

A isso eu junto um amor profundo

E um perdão que não neguei.

Um batizado e um cheque sem fundo que passei.

Junto, no ato, o azul de meu quarto

E essa vida que é um enfarto no meu coração.

Hoje se parte.

Partir é uma arte que faz tudo ser recordação.

Cartão Postal

Cazuza

Tudo é tão simples que cabe num cartão postal E se a história é de amor Não pode acabar mal O adeus traz a esperança escondida Pra que sofrer com despedida? Se só vai quem chegou E quem vem vai, vai partir Você sofre, se lamenta Depois vai dormi Sabe

Alguém quando parte é por que outro alguém vai chegar Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar Pra que querer ensinar a vida? Pra que sofrer? Baby só vai quem chegou E que vem vai partir Você sofre, se lamenta Depois vai dormir Sabe

Alguém quando parte é por que outro alguém vai chegar Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar Pra que querer ensinar a vida? Pra que sofrer com despedida?